Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

DIs sobem com a influência de movimento técnico

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Influenciado por um movimento técnico, segundo operadores, o mercado de juros futuros recuperou os prêmios que havia perdido logo após a divulgação do IBC-Br, que teve queda de 0,32% em outubro, ante setembro, abaixo do que a maioria dos economistas esperava. O indicador, que registrou o terceiro mês consecutivo de baixa, mostrou que o ritmo da atividade continuou fraco no começo do último trimestre do ano. Mas, no transcorrer da tarde, as taxas projetadas pelos DIs passaram a subir, sem notícias que justificassem tal movimento, uma vez que o ambiente externo continuou pesado, com bolsas e commodities em queda.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013, com movimento de 288.015 contratos, estava em 9,90%, de 9,87% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (115.135 contratos) indicava máxima de 10,22%, ante 10,18% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (33.190 contratos) apontava 10,82%, de 10,78% ontem, e o DI janeiro de 2021 (apenas 2.755 contratos) subia a 11,02%, de 10,96% no ajuste, ambos os contratos na máxima.

Operadores e analistas consultados não enxergaram um motivo claro para o movimento da curva a termo no período vespertino, mas, segundo um operador, dois grandes bancos tomaram taxa agora à tarde e puxaram o mercado. Realmente, o cenário externo e os indicadores domésticos não justificam qualquer avanço das taxas. A queda do IBC-Br em 0,32% com ajuste sazonal ficou perto do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de recuo de 0,40% a uma alta de 0,30%, com mediana de -0,10%. Não obstante, no que diz respeito aos preços, houve desaceleração do IPCA na coleta diária. O índice, no critério ponta, desacelerou de 0,87% do dia 12 para 0,79% no dia 13, segundo relatório divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e revelado por uma fonte para a Agência Estado.

No exterior, uma das escassas boas notícias veio em cima de rumores. Uma fonte no governo francês assegurou que Paris não recebeu nenhuma notificação da agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor’s sobre uma iminente redução em seu rating soberano. Normalmente a S&P informa um governo sobre eventuais alterações de rating com 12 horas de antecedência. A especulação em torno da nota de crédito da França ganhou força hoje depois de o ministro das Relações Exteriores Alain Juppé ter dito que um eventual corte no rating soberano francês não seria “cataclísmico”, o que alimentou a expectativa entre investidores de que o governo estaria se preparando para uma redução iminente.

De resto, o clima continuou ruim. E, novamente, a Alemanha teve peso decisivo para isso. A chanceler alemã, Angela Merkel, fez um alerta contra as expectativas de uma rápida solução para os problemas na Europa e disse que a superação da crise pode demorar anos. Além disso, o Tesouro da Itália, por sua vez, vendeu 3 bilhões de euros em um bônus de cinco anos – a quantia máxima pretendida -, mas teve de pagar um yield de 6,47%, o maior nível desde a implementação do euro. No leilão anterior, realizado no dia 14 de novembro, o yield tinha ficado em 6,29%.