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DIs se ajustam a novo corte da Selic, mas cautela continua

Por Da Redação - 19 jan 2012, 15h43

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) foi repetitivo, tanto no que diz respeito à intensidade do corte quanto no comunicado que justifica a decisão. A redução de 0,5 ponto porcentual da Selic, porém, era amplamente esperada, mas o mesmo não se pode dizer sobre o texto pós-reunião, visto que parte dos agentes aguardava alguma mudança nas palavras da autoridade monetária após os recentes sinais de melhora externa e o Relatório Trimestral de Inflação mais duro em dezembro. E, justamente por não haver nada além de repetição, o mercado de juros futuros devolveu prêmios nos vencimentos mais curtos e migrou suas apostas, definitivamente, para mais uma redução de meio ponto em março.

Mas, diante de dados externos positivos, da inflação corrente ainda pressionada e de rumores de que o governo estuda maneiras de estimular o crédito, houve ainda um natural movimento de acúmulo de prêmios na parte longa da curva a termo. Esses fatores também mantiveram a cautela dos investidores em juros, que preferem dar um passo por vez, sem migrar, por enquanto, para o cenário previsto pelos analistas no Focus, de que a Selic chegará a 9,5% neste ano.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI para abril de 2012 (113.775 contratos) caía a 10,21%, de 10,26% no ajuste. Nesse patamar, a taxa precificava corte de 0,33 ponto porcentual em março. O vencimento julho de 2012 (241.100 contratos), por sua vez, cedia de 10,07% para 9,98%, indicando a Selic em 10%. “O mercado acha que a Selic passará de 10,50% para 10%, mas prefere graduar isso na curva até a ata dessa reunião”, afirmou um operador. O DI janeiro de 2013, com 509.675 contratos, estava em 9,88%, de 9,99% ontem, enquanto o DI janeiro de 2014 (269.235 contratos) deslizava para 10,41%, de 10,49% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (72.410 contratos) marcava 11,12%, de 11,10% no ajuste, e o DI janeiro de 2021 (14.935 contratos) indicava 11,40%, de 11,32% ontem.

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Por aqui, a segunda prévia do IGP-M de janeiro trouxe taxa positiva de 0,22%, ante -0,07% em igual prévia de dezembro. O resultado ficou acima da mediana das expectativas (0,20%). Houve aceleração nos três indicadores que compõem o IGP-M: o IPA-M passou de -0,38% para -0,04%; o IPC-M subiu de 0,59% para 0,81%; e o INCC-M atingiu 0,60%, ante 0,43%.

Lá fora, Espanha e França, que tiveram seus ratings rebaixados pela Standard & Poor’s na semana passada, fizeram leilões de bônus, alcançaram boa demanda por seus papéis e, principalmente, pagaram menos para captar em alguns vencimentos. Outro assunto que preocupava os investidores também parece estar tomando um rumo. A Comissão Europeia tem esperança de que as negociações entre a Grécia e os credores privados sobre um plano para reestruturar a dívida do país sejam concluídas em breve, afirmou o porta-voz Amadeu Altafaj Tardio. Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 50 mil – maior queda em uma única semana desde 24 de setembro de 2005.

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