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DIs se ajustam a medidas e à moderação de corte da Selic

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O mercado de juros futuros passou por um dia de recomposição de prêmios, após o Comitê de Política Monetária (Copom) dar claros sinais, ao repetir o comunicado da reunião anterior, de que manterá o ritmo “moderado” de ajuste na Selic. Além disso, as medidas de desoneração para alguns setores, anunciadas hoje pelo Ministério da Fazenda, fizeram os investidores concluir que o estímulo econômico não virá apenas pela política monetária, o que permite ao BC não acelerar o afrouxamento iniciado em agosto. Desta maneira, aqueles que apostavam na possibilidade de uma aceleração dos cortes tiveram de realizar o prejuízo e refazer suas posições, deixando a piora externa em segundo plano.

Assim, ao término da negociação na BM&F, o DI janeiro de 2013, com giro de 380.830 contratos, subia a 9,74%, de 9,63% no ajuste. O DI janeiro de 2014 (255.210 contratos) estava em 9,99%, de 9,85% ontem. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (53.790 contratos) avançava para 10,70%, de 10,63% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (8.370 contratos) marcava 10,88%, de 10,83% no ajuste.

Entre as medidas anunciadas hoje constam reduções tributárias para os produtos eletrodomésticos da linha branca. No caso do fogão, a incidência do IPI passa de 4% para zero. No de geladeira, de 15% para 5%. No da máquina de lavar, de 20% para 10% e no caso das lavadoras semi automáticas, os tanquinhos, de 10% para zero. O pacote envolveu ainda as massas, que atualmente pagam PIS/Cofins de 9,25% e passarão a pagar alíquota zero até 31 de junho de 2012. Além disso, foi renovada a desoneração do trigo, da farinha e do pão francês.

O intuito é assegurar um crescimento de em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2012, como indicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas, por outro lado, a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e para massas deve contribuir para atenuar as pressões inflacionárias advindas desses produtos. “A redução de preços desses itens pode ter efeito já em dezembro, contribuindo para que o IPCA feche abaixo do teto da meta de 6,5%”, avaliou um operador. “Porém, tais ações podem gerar pressões inflacionárias no futuro, decorrentes do aumento da demanda”, ponderou. Na entrevista em que anunciou as medidas, Mantega, porém, disse que “a inflação está sob controle no Brasil e podemos dar uma acelerada na economia sem perigo de inflação”.