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DIs deixam piora externa de lado e têm dia de correção

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O mercado de juros futuros teve um comportamento distinto do que apresentou na semana passada, quando subia ou caía acompanhando o movimento externo de bolsas e commodities. Hoje, no entanto, a despeito da piora internacional, houve algum acúmulo de prêmios ao longo da curva a termo, sobretudo nos vértices mais longos. Analistas e operadores não enxergaram nos indicadores conhecidos nesta segunda-feira motivos para esse movimento, uma vez que a Focus veio sem novidades e os dados externos não justificam qualquer tipo de otimismo. Diante disso, o mercado tratou o avanço das taxas hoje, em meio à liquidez bastante estreita, como uma correção às fortes quedas da semana passada.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (54.805 contratos) estava em 10,978%, de 10,98% na sexta-feira. O DI janeiro de 2013, com giro de 114.750 contratos, subia a 9,98%, de 9,93% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (85.750 contratos) marcava 10,22%, de 10,16%. Entre os longos, a alta das taxas foi um pouco mais forte. O DI janeiro de 2017 (17.035 contratos) avançava para 10,82%, de 10,72% na sexta-feira, e o DI janeiro de 2021 (1.660 contratos) apontava 10,90%, de 10,82%.

E se dependesse do ambiente externo, o dia realmente seria de queda nas taxas dos DIs. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Congresso tem até 23 de dezembro para aprovar medidas que evitem um gatilho automático conhecido entre os parlamentares como “sequestro” de recursos orçamentários em 2013. No entanto, para que a votação ocorra até a data-limite, o plano de cortes tem de estar pronto pelo supercomitê até quarta-feira, dia 23. Mas a ausência de consenso sobre o tema, até agora, faz os índices acionários de Wall Street cederem em quase 2,5%.

Na Europa, as notícias também não foram animadoras. O partido Socialista de primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero perdeu as eleições para o Partido Popular, que conquistou a maioria no Congresso espanhol. Nem por isso o yield dos bônus da Espanha deixou de subir e o Banco Central Europeu (BCE), como tem se tornado rotina, voltou a intervir no mercado comprando títulos espanhóis. Além disso, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que os riscos para o sistema financeiro da Alemanha aumentaram “significativamente”. No que diz respeito à França, a Moody’s afirmou que vê pressões sobre a perspectiva estável do rating triplo A do país, mas não sobre a nota em si, no momento. De qualquer forma, isso fez o custo do seguro da dívida francesa bater recorde, com o prêmio do CDS atingindo 234 pontos-base, acima do fechamento recorde de 231 pontos-base atingido na semana passada.

Por aqui, não houve nenhuma novidade capaz de alterar o rumo dos negócios. O boletim Focus, do Banco Central, divulgado hoje teve apenas uma pequena revisão em baixa dos prognósticos de inflação para 2012. A mediana das previsões para o IPCA no próximo ano recuou de 5,56% para 5,55%. Para 2011, foi mantida a estimativa de que o IPCA deve ter alta de 6,48%, pouco abaixo do teto da meta de 6,5% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). As expectativas para a expansão do PIB seguiram em 3,16% em 2011 e em 3,50% em 2012. Para a Selic, foi mantido o prognóstico de que a taxa termina este ano em 11,00%, embutindo a expectativa de queda de 0,50 ponto porcentual da taxa na próxima semana. Para 2012, o prognóstico de 10,00% foi reiterado.