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Diretor do FMI deve dar espaço a emergentes, diz Mantega

Para o ministro da Fazenda, a nacionalidade do escolhido não é importante, desde que seja alguém que amplie a representatividade dos países em desenvolvimento no fundo

Por Carolina Guerra - 23 maio 2011, 15h17

“O importante é ter um bom candidato, cuja nacionalidade pode ser tanto de um país emergente quanto de um país avançado”, diz Guido Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que chegou a propagar que o ideal seria que um representante de algum país emergente assumisse o cargo de diretor geral do FMI, já adota uma postura mais flexível. Ele afirmou a jornalistas, nesta segunda-feira, que a nacionalidade não é importante, mas sim que seja alguém que continue levando em consideração o peso dos emergentes na economia mundial.

“O importante é ter um bom candidato, cuja nacionalidade pode ser tanto de um país emergente quanto de um país avançado”, afirmou nesta segunda-feira. “Quero saber das propostas, se será alguém que irá continuar as reformas do órgão, de modo que os emergentes passem a ter mais participação acionária”, completou.

Sobre o processo de sucessão no Fundo, Mantega é partidário de uma campanha longa, com direito a viagens dos candidatos, conversas com líderes mundiais e firmação de compromissos. “Queremos um tempo maior de campanha, analisar os candidatos e saber de suas propostas. Se for decidido por um processo mais curto, que seja alguém só para terminar o mandato de Dominique (Strauss-Kahn)”, afirmou. Para Mantega, somente um ministro das finanças ou um presidente de banco central de algum dos países que compõem o bloco do G20 reuniriam as qualificações para o cargo.

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Prolongar a decisão, porém, pode ser arriscado. Países da Europa, como Grécia e Portugal, dependem diretamente da atuação do órgão para a aprovação de pacotes de ajuda. Trata-se de um período em que políticas desastradas e instabilidades no FMI podem se converter em complicações para todo o bloco europeu. Na avaliação do ministro, a escolha de um bom representante, ainda que por pouco tempo, não traria maiores dificuldades.

Carta – Em carta aberta divulgada na última quarta-feira, Mantega havia declarado que já teria passado o tempo em que poderia ser “remotamente apropriado” reservar esse importante cargo a um cidadão europeu. Ainda no documento, ele pediu transparência ao processo de sucessão no FMI, exaltando a importância de que a escolha fosse baseado no mérito e que o escolhido representasse um número maior de países membros. Nesta sexta-feira, contudo, Mantega havia dito ao jornal Folha de S. Paulo estar disposto a apoiar um representante de um país desenvolvido por acreditar que os candidatos dos emergentes teriam um perfil muito conservador. Na visão do ministro, o cargo deve ser entregue a alguém com uma visão progressista sobre o futuro da entidade.

Desde de a fundação do FMI no Pós-Guerra, a vaga de diretor-geral é confiada a um representante de um país europeu. O ministro vinha questionando os critérios por trás desta regra ‘não-escrita’, fazendo coro a apelos semelhantes feitos por autoridades da África do Sul e da China. Com o recuo de Mantega, o Brasil é o primeiro emergente a aceitar um representante de um país rico para a sucessão de Dominique Strauss-Kahn.

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