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A alta do dólar: vantagens e desvantagens da variação cambial e como lidar com ela

Setembro de 2019 foi o primeiro mês na história em que o dólar fechou acima de 4 reais no Brasil, em todas as sessões — a moeda oscilou entre a mínima de 4,05 reais na venda e a máxima de 4,18 reais. No dia 30 de setembro, última sessão do mês, o valor estava em 4,15 reais na venda.

Mas, quais são as vantagens e desvantagem da alta da moeda estrangeira em território nacional? 

Em primeiro lugar, vale esclarecer o conceito de oferta e demanda que movimenta o mercado, e que eleva ou desvaloriza a moeda. Quem explicou a questão foi o especialista Felipe Arrais, editor responsável pela série Empiricus Private, da Empiricus.

“Se é um bom momento para o mercado brasileiro e para a bolsa de valores, vamos ver investimentos estrangeiros entrando no País. Ou seja, mais dólares entrando aqui [no Brasil]. E mais dólares disponíveis faz com que o dólar caia frente ao real. Da mesma forma, podemos observar o contrário — se o mercado brasileiro está ruim, vamos ter uma fuga de capital do País, diminuindo a oferta da moeda americana, e elevando o preço [do dólar]”, ilustrou Arrais.

Já quanto às vantagens e desvantagens da variação cambial, o Arrais pontuou que, no geral, existem mais pontos negativos do que positivos com a alta do dólar. Entretanto, segundo ele, um efeito positivo que a alta da moeda americana pode trazer é um aumento de competitividade de produtos exportados. “O produto nacional fica mais barato no exterior, ganha competitividade de preço. Com o dólar mais forte vende-se mais para fora, tem mais entrada de capital aqui no Brasil, geram-se mais empregos”, salientou o editor da Empiricus

Por sua vez, no que diz respeito aos impactos negativos da moeda estrangeira, Felipe Arrais destaca a possibilidade de aumento no índice de desemprego, visto que muitas empresas possuem dívidas em dólar — “o dólar sobe, a empresa se vê mais endividada, e tem que cortar gastos, muitas vezes mandando gente embora”, pontuou. 

Arrais também acrescentou que quando há valorização da moeda americana, os produtos importados ficam mais caros como um todo, o que resulta no chamado “repasse cambial” — que é quando os produtos importados que ficaram mais caros vão “contaminando” os outros produtos.  “Você começa a trocar esse produto [o importado] por substitutos. Aí aumenta a demanda por esse substituto, e esse substituto também fica mais caro”, ressaltou o especialista da Empiricus.

Outro impacto da variação cambial, é a variação do preço do barril do Petróleo, que é medida em dólar. “Logo, uma alta da moeda vai impactar em uma alta do preço do combustível”, evidenciou Felipe Arrais. Ele ainda lembrou que o Brasil é muito dependente do transporte rodoviário feito por caminhões e outros veículos do meio. “Mais de 60% de tudo que circula no Brasil é [transportado] através desse setor […] E se, em média, o preço do transporte logístico corresponde a cerca de 30%, 40% do valor do produto, não é difícil de se imaginar que uma alta no dólar pode encarecer bastante a sua compra do mês. Ou seja, impacta o consumo como um todo, impactando o consumo, impacta a vida do brasileiro como um todo”, ponderou. 

Mas, há meios de se “proteger”, ou lidar bem com a variação cambial?   

Para o Co-CEO e estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, a variação cambial é muito imprevisível e que não há “bola de cristal” em relação a esse assunto. Segundo ele, ninguém consegue prever com exatidão para onde vai o câmbio. No entanto, há duas sugestões dos especialistas em relação à variação cambial. A primeira delas é que, enquanto investidor, o brasileiro precisa ter uma moeda forte dentro do seu portfólio [de ativos].

Felipe Miranda, por exemplo, afirmou que o dólar deve compor a carteira do investidor, independentemente da variação cambial, “porque isso preserva a construção de patrimônio ao longo do tempo”. E essa ideia é ratificada por Felipe Arraias. Ele também destacou que o dólar serve muito bem para compor uma carteira de investimentos diversificada e, ainda, acrescentou que, “no geral é sempre bom ter uma parte ‘dolarizada’ no portfólio, para proteger o patrimônio nos momentos de estresse”.

A outra sugestão dos especialistas é referente às viagens internacionais. Para eles, a melhor opção é comprar dólares aos poucos. Ou seja, não interessa para onde vai o dólar, independentemente da situação da moeda, quem vai viajar, deve comprá-la por partes. “Se você vai viajar daqui a seis meses, divide um sexto em cada mês”, manifestou Miranda. 

Felipe Arrais ainda alertou que, quando o assunto é viagem para o exterior, não adianta ficar especulando quanto que o dólar vai estar no momento da viagem. E reforçou que a melhor estratégia é, mesmo, construir um preço médio vantajoso (comprando um pouco da moeda todo mês antes da viagem). “Assim você dilui um pouco a chance de a cotação estar muito alta exatamente no momento em que você decidir comprar para viajar”.

“E não adianta ficar triste se nos primeiros meses você pagou um dólar mais baixo, e perto da viagem ficou mais caro, e você se arrepender de não ter comprado mais antes. Ninguém tem bola de cristal. Essa estratégia serve para você construir um preço médio atrativo — que te traga vantagens. Pensa que você poderia ter deixado para comprar tudo no momento em que a cotação estava pior”, conclui Arrais. 

 

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