Dinheiro do agro leva arranha-céu de R$ 500 milhões a Sinop
Primeiro arranha-céu da cidade terá 42 pavimentos e 132 apartamentos; riqueza de alta renda cresce no Centro-Oeste e muda o mercado imobiliário fora do eixo Rio-São Paulo
A riqueza produzida pelo agronegócio começa a aparecer também no skyline de Mato Grosso. Sinop, um dos principais polos econômicos do norte do estado, ganhará seu primeiro arranha-céu: uma torre residencial de 42 pavimentos, 154 metros de altura e Valor Geral de Vendas estimado em R$ 500 milhões.
O número dá uma dimensão do mercado que se formou em uma cidade de pouco mais de 200 mil habitantes. Serão apenas 132 apartamentos, o que representa um VGV médio próximo de R$ 3,8 milhões por unidade. As plantas começam em 194 metros quadrados e chegam a 766 metros quadrados nas coberturas duplex.
Por trás da torre está uma mudança na geografia da riqueza brasileira. O PIB do Centro-Oeste avançou 6,6% em 2025, três vezes o crescimento de 2,2% registrado pelo país. Ao mesmo tempo, o segmento private, formado por clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, cresceu em média 20,9% ao ano nos últimos três anos na região, segundo a Anbima — o maior ritmo do Brasil.
É esse dinheiro que começa a alterar também o mercado imobiliário das cidades ligadas ao agro. Em 2024, foram vendidas 24.923 unidades residenciais no Centro-Oeste, crescimento de 22% em um ano, segundo a CBIC. A expansão abre espaço para um padrão de empreendimento que antes ficava concentrado principalmente nas grandes capitais.
O Raízes, como foi batizado o projeto de Sinop, está sendo construído pela São Benedito, incorporadora de Cuiabá que projeta movimentar R$ 630 milhões em VGV em 2026. Só a torre de Sinop terá uma estrutura de aproximadamente 200 metros quando considerados os cerca de 50 metros de fundações subterrâneas. A obra consumirá mais de 15 mil metros cúbicos de concreto e 350 toneladas de aço apenas nessa etapa.
O movimento não está restrito a Sinop. Em Cuiabá, a própria São Benedito ergue o Baalbek, torre de 183 metros que a companhia afirma que será a mais alta do Centro-Oeste. Depois de transformar terras e grãos em algumas das maiores fortunas do interior do país, o agro começa agora a transformar também a altura das cidades.







