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Dilma reclama a Obama de política monetária expansionista

Por Brian Winter e Caren Bohan

WASHINGTON, 9 Abr (Reuters) – A presidente Dilma Rousseff reclamou da política monetária dos Estados Unidos e não obteve grande avanço na relação comercial com o país durante reunião nesta segunda-feira com o presidente norte-americano, Barack Obama, colocando em evidência as diferenças existentes entre as duas maiores economias das Américas.

Dilma disse que, enquanto se fazem necessárias políticas monetárias expansionistas dos países ricos para afastar um agravamento nos problemas econômicos globais, há preocupação com as consequências inesperadas para países em desenvolvimento, como o Brasil.

Autoridades brasileiras apontaram baixas taxas de juros e programas de compra de títulos na Europa e nos EUA como responsáveis por um “tsunami monetário”, causador de um fluxo de liquidez para o Brasil, valorizando o real e afetando a competitividade das exportações do país.

“Essas políticas monetárias solitárias, no que se refere a políticas fiscais, levam à desvalorização das moedas em países desenvolvidos, levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes”, disse Dilma.

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney, em declaração logo depois à imprensa, recusou-se a comentar a resposta de Obama às preocupações de Dilma.

Os comentários de Dilma pontuaram uma visita que mostrou líderes de ambos os países falarem da necessidade de maior comércio, investimento e cooperação, mas que não produziu grandes avanços.

Obama, falando no Salão Oval, referiu-se a Dilma como uma “boa amiga” e elogiou o Brasil pelo “progresso extraordinário” na redução da pobreza.

“Nosso comércio e investimento estão atingindo níveis recordes, o que gera empregos e oportunidades de negócios em ambos os países”, disse Obama, ao lado de Dilma.

Empresários norte-americanos estão ansiosos por um maior acesso ao Brasil, que ultrapassou a Grã-Bretanha no ano passado para tornar-se a sexta maior economia do mundo e viu cerca de 30 milhões de pessoas ascenderem à classe média na década passada.

O Brasil também será sede a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, e as empresas dos EUA buscam uma participação em projetos de infraestrutura relacionados aos eventos esportivos internacionais.

Mas as negociações sobre uma maior integração comercial produziram pouco progresso. Um comunicado conjunto divulgado pelos presidentes após a reunião disse que ambos “enfatizaram, ainda, a importância dos benefícios mútuos de estimular o aumento do comércio e dos investimentos”.

PREOCUPAÇÕES COM COMÉRCIO BRASIL-EUA

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou a empresários que estava preocupado com a elevada fatia de commodities no comércio com os Estados Unidos, e expressou esperança de que o país iria, em breve, importar mais produtos manufaturados do Brasil.

“É verdade que a composição deste comércio não é o ideal”, disse Patriota mais cedo na segunda-feira.

As autoridades brasileiras reclamaram em privado, antes da visita de Dilma, a primeira à Casa Branca como presidente, que a administração Obama não estava reconhecendo adequadamente o papel crescente do Brasil nos assuntos globais. Autoridades disseram à Reuters que ficaram desapontados, por exemplo, que sua agenda não incluía um jantar para Dilma.

Falando em um fórum de negócios antes da reunião na Casa Branca, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que a relação EUA-Brasil é “uma das relações mais consequentes para o século 21”.

Hillary anunciou a abertura de duas novas embaixadas norte-americanas no Brasil, em Porto Alegre e Belo Horizonte, mas não há prazo para o início das atividades das representações.

(Reportagem adicional de Doug Palmer)