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Diletto e Do Bem são investigadas pelo Conar por ‘inventar histórias’

Entidade abriu processo contra as empresas em 3 de novembro para verificar se campanhas publicitárias das marcas são verdadeiras

Por Da Redação 26 nov 2014, 16h16

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) está investigando se as histórias contadas pela Diletto e pela Do Bem sobre a origem de seus produtos são verdadeiras, depois de abrir processos em 3 de novembro com base em reclamações de uma consumidora que não teve o nome divulgado publicamente. As empresas terão dez dias para encaminhar esclarecimentos, que serão julgados no Conselho de Ética da Conar em 11 de dezembro. A entidade não tem poder judicial, mas tem autoridade para recomendar a suspensão ou alteração das campanhas publicitárias.

Diletto – A Diletto conta que Vittorio Scabin, avô do proprietário da marca, Leandro Scabin, fabricava picolés com neve e frutas frescas na Itália, antes de fugir para o Brasil com o início da Segunda Guerra Mundial. Porém Scabin admitiu em entrevista à revista EXAME que “nonno Vittorio”, na verdade, chamava-se Antonio, nunca fabricou sorvetes e veio para o Brasil cerca de duas décadas antes da guerra. “A empresa não teria crescido tanto sem a história do avô e o conceito visual que construímos. Como eu convenceria o cliente a pagar 8 reais num picolé desconhecido. Mas reconheço que posso ter ido longe demais na história”, disse Scabin à revista EXAME.

A Diletto informou em nota que pretende entrar com pedido de arquivamento do processo, demostrando que não houve nenhum tipo de violação. A empresa ressaltou que sua comunicação foi desenvolvida para reforçar de forma lúdica os valores da marca e trabalhou com ingredientes baseados em fatos reais. “O personagem Vittorio, fundador da Diletto, é o alterego do Sr. Antonio, avô de nosso sócio. Contamos essa história e a tangibilizamos através de um slogan e imagens de cunho publicitário. Não acreditamos de forma alguma que esta prática tenha falsificado o nosso DNA. Somos uma tradução literal dessa narrativa ficcional.”

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Do Bem – As embalagens do suco Do Bem informam ao consumidor que as laranjas “colhidas fresquinhas todos os dias, vêm da fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir”. Mas a reportagem da revista Exame mostrou que o “senhor Francesco” também não existe e que a matéria-prima vem de grandes fornecedoras, como a Brasil Citrus. A companhia esclareceu em nota que todas as suas histórias são verdadeiras. “Com o crescimento da empresa, que começou pequena e hoje tem cerca de 15 mil pontos de venda, hoje contamos com mais de um fornecedor de fruta para suprir a necessidade do mercado. Mas as pessoas que são especiais em nossa história são destacadas em nossa comunicação”, afirmou a empresa, em nota.

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