ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Dez novas canetas depois, a guerra do Ozempic está só começando no Brasil

Fim da patente da semaglutida dispara corrida entre Novo Nordisk, EMS, Hypera, Sun e Lilly por um mercado que já movimenta 14,6 bilhões de reais por ano

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 set 2026, 14h00 | Atualizado em 2 set 2026, 11h36
Dez novas canetas depois, a guerra do Ozempic está só começando no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

Cinco meses foram suficientes para mudar completamente o mercado criado pelo Ozempic no Brasil. Desde que a patente da semaglutida expirou, em 20 de março, a Anvisa concedeu dez novos registros de versões sintéticas da molécula. O número impressiona, mas esconde uma realidade ainda mais interessante: a verdadeira guerra das chamadas canetas emagrecedoras está apenas começando.

Levantamento do Radar Econômico a partir dos registros da Anvisa mostra que metade dessas dez autorizações está concentrada no Grupo EMS. Além do Ozivy, a companhia obteve registro para um genérico e para o Yluméc; a Germed, que pertence ao mesmo grupo, conseguiu o Semaclique e um segundo genérico. Hypera aparece com outros dois registros, por meio da Brainfarma e da Cosmed, enquanto Sun Pharma e Ranbaxy, ambas do mesmo grupo, receberam outros dois. Apenas o Owozy, da Ávita, fica fora desses três conglomerados. Na prática, nove dos dez novos registros estão nas mãos de apenas três grupos farmacêuticos.

Só que registro não significa produto imediatamente na prateleira. Parte dessas canetas ainda depende de definição de preço e estratégia comercial. É justamente aí que começa a segunda etapa da disputa. A EMS investiu mais de 1,2 bilhão de reais em sua plataforma de peptídeos em Hortolândia, cuja capacidade chega a 20 milhões de unidades de medicamentos por ano. A Hypera prepara sua entrada com o Semavy, pela Mantecorp. E outros fabricantes ainda avançam pela fila regulatória aberta após o fim da exclusividade da Novo Nordisk.

Há ainda um paradoxo importante. Apesar da avalanche de registros, nenhuma das dez novas semaglutidas sintéticas foi aprovada especificamente para o tratamento da obesidade. As autorizações concedidas até agora são para diabetes tipo 2. O território do Wegovy — a versão da semaglutida da Novo Nordisk registrada para obesidade — permanece, portanto, muito menos atacado do que sugere a multiplicação de novas marcas. A própria Anvisa afirma que 68% dos pedidos de registro de injetáveis para obesidade e diabetes já protocolados são de produtos sintéticos, sinal de que novas ondas de concorrentes ainda podem chegar.

Continua após a publicidade

A líder já começou a reagir. Nesta terça-feira, a Novo Nordisk relançou no Brasil o NovoCare Farmácia, seu canal digital de venda de Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A mudança ocorre num momento em que a disputa deixou de ser apenas entre medicamentos e passou também para preço, fidelização do paciente e controle do canal de venda. A entrada dos fabricantes nacionais tende a aumentar justamente essa pressão.

E existe dinheiro suficiente para transformar a corrida numa das maiores disputas da indústria farmacêutica brasileira. Dados da IQVIA compilados pelo Itaú BBA mostram que o mercado formal de medicamentos GLP-1 movimentou 14,6 bilhões de reais nos doze meses encerrados em abril, avanço de 110% em um ano. Somados produtos manipulados e importados por canais não monitorados, o banco estima um mercado de aproximadamente 27 bilhões de reais. Para 2030, a projeção chega a 61 bilhões de reais.

Continua após a publicidade

E a próxima geração já está à vista. A Eli Lilly, dona do Mounjaro, avança globalmente com a retatrutida, que combina três mecanismos hormonais e deve entrar com pedido de registro nos Estados Unidos em 2027. Mesmo ainda sem aprovação em nenhum país, a substância já foi encontrada sendo vendida ilegalmente no Brasil. Enquanto isso, Novo Nordisk, Lilly, EMS e os demais concorrentes correm para ampliar indicações, reduzir preços e conquistar pacientes. Se a primeira fase da corrida foi dominada por Ozempic e Mounjaro, a próxima será disputada por muito mais moléculas, marcas e fabricantes.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).