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Despesas do Governo Central sobem mais que as receitas

O ritmo de crescimento dos investimentos do governo desacelerou, inclusive as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Tesouro Nacional mostram que as despesas do Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) de janeiro a agosto estão em ritmo bem maior de crescimento do que as receitas. Enquanto as despesas tiveram alta de 12,2%, as receitas apresentaram no mesmo período uma expansão de 7,2%. As receitas totais do Governo Central de janeiro a agosto somaram 691,87 bilhões de reais, segundo o Tesouro, enquanto as despesas totalizaram 518,533 bilhões de reais.

Os números mostram também uma desaceleração do ritmo de crescimento dos gastos com investimentos, apesar da cobrança da presidente Dilma Rousseff de dar maior dinamismo a esses gastos. De janeiro a agosto, as despesas com investimentos totais do Governo Central somaram 42,9 bilhões de reais- crescimento de 29,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste ano até julho, essas despesas cresciam ao ritmo de 29,4%.

Gastos – Do total de despesas pagas, 29,673 bilhões de reais referem-se a gastos com restos a pagar (despesas transferidas de um ano para o outro). Já as despesas pagas dentro do orçamento deste ano somaram 12,788 bilhões de reais.

As despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também apresentaram desaceleração. Até agosto, registram crescimento de 33,5%, atingindo 22,3 bilhões de reais. Até a julho, essas despesas apresentavam crescimento de 36,3%.

Tesouro – O superávit do Tesouro Nacional em agosto (1,583 bilhão de reais) foi reforçado por um repasse de dividendos de empresas estatais à União no valor de 5,828 bilhões de reais. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, esse valor é 149,1% maior do que o montante das receitas com dividendos em julho, que foi de 2,339 bilhões de reais. No acumulado de janeiro a agosto, o pagamento de dividendos à União já soma 16,125 bilhões de reais, 26,7% a mais que nos primeiros oito meses de 2011.

Se não fosse o recebimento de dividendos em agosto, o Governo Central teria registrado no mês passado um déficit de 4,245 bilhões de reais. O governo recebeu também 210,8 milhões de reais de pagamento de concessões.

Meta – O superávit primário acumulado de janeiro a agosto de 53,493 bilhões de reais superou em 16,3% a meta do governo para o segundo quadrimestre, que era de 45,9 bilhões de reais. O resultado de hoje ainda não considera o resultado primário do setor público consolidado, que engloba também os dados de Estados, municípios e estatais a ser divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central. A meta de superávit do governo central para todo o ano de 2012 é de 96,973 bilhões de reais.

(Com Agência Estado)