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Depois do feriado em SP, juros futuros recuam

Por Da Redação - 10 jul 2012, 11h26

Por Patricia Lara

São Paulo – Os contratos futuros de juros cedem em toda a estrutura da curva, já que os desdobramentos externos e os prognósticos para o ritmo da economia brasileira ofuscam o IGP-M, divulgado na segunda-feira, quando não houve negócios na BM&FBovespa. Segundo duas fontes consultadas, o mercado continua prevendo queda de 0,50 ponto porcentual da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira e termina na quarta-feira e reedição do corte de 0,50pp na reunião decisória de agosto.

Mas cresce a adesão à expectativa de recuo da Selic a 7% até o final do ano. A curva de juros comporta precificação para corte adicional de 0,10 ponto porcentual da Selic na reunião do Copom em outubro. Na pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira, a previsão mediana dos agentes financeiros para a taxa básica ainda foi mantida em 7,5% para o final deste ano. Mas as projeções para a Selic no fim do próximo ano passaram de 9% para 8,5%, o que pressupõe aumento de 1 ponto na taxa básica no decorrer de 2013 e não mais 1,5 ponto.

Às 11h02, o contrato para janeiro de 2013 cedia a 7,49%, de 7,55% no ajuste, enquanto o janeiro de 2014 recuava a 7,76%, de 7,82%. No contrato para janeiro de 2021, a taxa cedia a 9,85%, de 9,94% no ajuste de sexta-feira.

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Na pesquisa Focus, as previsões para PIB, produção e IPCA em 2012 foram revisados em baixa. O prognóstico do PIB 2012 foi reduzido de 2,05% para 2,01% e para o IPCA, passou de 4,93% para 4,85%.

Para a produção industrial, os analistas revisaram a previsão de expansão para 0,10% em 2012, ante previsão de 0,39% na semana passada. Para 2013, o mercado prevê expansão de 4,25% na produção, abaixo do 4,30% esperado na semana passada. A pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira, reflete as coletas de informações inseridas pelos agentes no BC nos sete dias até as 17 horas da sexta-feira anterior. Às 17h01, os bancos e corretoras podem ainda imputar dados junto ao Banco Central, que só serão compilados para o levantamento que será anunciado na semana seguinte.

Esses vetores e o exterior ofuscaram a aceleração da primeira prévia do IGP-M de julho a 0,95%, acima do teto esperado (0,88%). O item automóveis, que registrou deflação de 2,59% na primeira prévia do mês passado, ficou zerado. “Acabou esse efeito que ajudava a jogar para baixo a inflação”, comentou o coordenador de Análise Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, referindo-se ao alívio tributário. No IPCA de junho, a redução dos preços dos automóveis, sob efeito da queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), foi decisiva para o comportamento benigno.

Mas foi a soja a principal responsável pela aceleração da inflação registrada na primeira prévia do IGP-M. O chamado complexo soja – que inclui a soja em grão, farelo de soja e óleo bruto e refinado – respondeu por 56% da alta de 1,25% registrada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) no período. O aumento refletiu, sobretudo, o impacto nos preços internacionais do produto em razão da seca nos EUA. Ontem, o preço internacional da soja atingiu nível recorde na Bolsa de Chicago (CBOT).

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Maior importadora do grão, a China divulgou hoje que importou 5,62 milhões de toneladas de soja em junho, uma alta de 31% ante o mesmo período do ano passado e de 6% ante maio. Mas outras importações chinesas desaceleraram. Com o dado amplo comercial da China e apreensão com a Europa, os Treasuries sobem, provocando recuo no juro projetado da T-Note de 10 anos a 1,52200%, de 1,551% na sexta-feira.

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