Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Depois de alimentos, serviços devem pressionar inflação em 2011

A persistência da elevação destes preços e sua forte ligação com o dinamismo da demanda são fatores que preocupam

Por Derick Almeida
28 jan 2011, 14h38

Depois da alta do preço dos alimentos, agora é a vez dos serviços ocuparem a posição de vilão da inflação. O alerta foi feito por economistas ouvidos pelo site de VEJA. Segundo eles, a preocupação com estes preços, em particular, é sua perenidade. Ao contrário dos bens chamados de ‘tradables’ (comercializáveis), eles não podem ser importados, exportados, etc. Ou seja, a concorrência é mais baixa, o que favorece a alta dos preços. Além disso, são fortemente influenciados pelo aquecimento da atividade econômica e pelo crescimento da renda. “A inflação no setor de serviços é geralmente forte em um contexto de crescimento econômico acelerado, quando a expansão da renda e da demanda é expressiva. Sua principal característica é a persistência”, alertou Marco Maciel, economista do Banco Pine.

Nesta semana, o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de janeiro – uma prévia do IPCA, índice oficial de inflação – mostrou alta de 0,76%. A pressão de alta nos preços de serviços ficou acima do índice, com elevação de 0,89%.

Parte dessa tendência para o setor de serviços é justificada pelos preços em educação, que costumam subir nessa época do ano, com a demanda em alta por conta da volta às aulas. A alta nessa categoria deve chegar a 5,5% em fevereiro, um ponto porcentual acima da contabilizada no mesmo período de 2010, revelou o economista Fabio Romão, da LCA Consultores.

Outra pressão de alta vem do impacto do aluguel – que geralmente é corrigido por força de contrato pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M). Como os valores são reajustados pelo IGP-M acumulado nos 12 meses anteriores, a forte inflação passada terá impacto nas negociações dos contratos que vencem ao longo de 2011. Quem tem aluguel com correção no começo do desse ano ainda será beneficiado pela inflação baixa do início de 2010. Contudo, à medida que os meses passarem, o IGP-M acumulado passará a incorporar meses de preços mais altos, o que se verificou da metade do ano passado para cá. O indicador que corrige o aluguel subirá mês a mês até atingir o pico de 9,7% em setembro, quando, enfim, desacelerará até chegar a 8,5% em dezembro. Ainda assim, um valor ‘salgado’.

“Os contratos que já estão fechados são uma preocupação. Contudo, não podemos esquecer dos alugueis que ainda serão contratados. Como a demanda por este serviço seguirá elevada e a oferta de imóveis não responde de forma rápida, as elevações destes preços tendem a continuar expressivas e merecem um acompanhamento de perto”, destaca o analista de inflação da Tendências, Thiago Curado.

Continua após a publicidade

Dinamismo e persistência – Diante disso, os preços do serviços devem registrar aumento em 2011 de 7,5% a 8,5%. Trata-se de uma alta acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%. Mesmo levando em conta o topo da meta, que é 6,5%, a alta do preço de serviços assusta. “O setor de serviços é o termômetro mais fiel da intensidade da demanda interna de um país”, disse Celso Toledo, economista da LCA Consultores.

Parte da explicação para sua força e perpetuidade reside no fato de que serviços não podem ser ‘transacionados’. Em outras palavras, ainda que descontentes com o preços praticados, as famílias não podem, por exemplo, substituir o serviço de uma escola brasileira pelo de uma estrangeira, a fim de economizar. Isso já não acontece no caso de outros produtos. Salvo as commodities, cujas cotações formam-se no cenário internacional (logo, é a mesma no Brasil ou no exterior), a maior parte dos bens – máquinas, automóveis, vestuário, brinquedos, etc – tem preços diferenciados e podem ser importados.

Mas o aspecto mais importante da inflação de serviços é mesmo sua íntima ligação com a demanda doméstica. A expectativa de mercado, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, é que a economia brasileira desacelere em 2011, mas isso não significa ‘andar para trás’. Ao contrário, o crescimento esperado não é nada desprezível: 4,5%. Os economistas ouvidos por VEJA são unânimes em afirmar que o consumo interno continuará a crescer em ritmo superior ao da capacidade de oferta, incentivado por ótimos indicadores de emprego e renda – esta última, inclusive, receberá o impulso de um salário mínimo, mais uma vez, a ser ajustado acima da inflação. Diante deste quadro, os componentes ligados a serviços no IPCA – com destaque para despesas pessoais, educação, saúde e cuidados pessoais e habitação – não teriam porquê sofrer ajustes para baixo. Ao contrário.

O alerta decorrente desta persistência dos preços de serviços – num cenário em que já preocupam as cotações das commodities – fica, uma vez mais, para o poder público. Não há escapatória. Este ano terá de ser marcado por uma austeridade fiscal de fato. O governo federal tem obrigação de contribuir para diminuir as pressão sobre a demanda interna brasileira, se não quiser entregar todo o trabalho para o Banco Central – leia-se alta de juros.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.