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Depois de 24 anos, Steinbruch passa o bastão da CSN a Fabio Schvartsman

Controlador deixa a presidência executiva, volta ao comando do conselho e entrega a operação da siderúrgica ao ex-presidente da Vale

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 19h28
Depois de 24 anos, Steinbruch passa o bastão da CSN a Fabio Schvartsman Priorizar nos meus resultados Google

Durante quase um quarto de século, separar a Companhia Siderúrgica Nacional de Benjamin Steinbruch foi um exercício quase abstrato. Desde 30 de abril de 2002, era ele quem ocupava a cadeira de presidente executivo de um grupo que, sob seu comando, avançou muito além do aço e construiu posições relevantes em mineração, cimento, ferrovias, portos e energia. A partir desta quinta-feira, 3, essa configuração muda. Steinbruch deixa a presidência executiva da CSN e assume a presidência do Conselho de Administração. Para sua cadeira vai Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale e um dos executivos mais conhecidos do capitalismo brasileiro.

A mudança anunciada nesta quarta-feira, 2, está longe de representar uma saída de Steinbruch da CSN. Ao contrário: ele retorna justamente ao posto de presidente do conselho que exerceu entre 1995 e 2023 e preserva a posição central na definição dos rumos do grupo. O que muda é a divisão de poder. Pela primeira vez em 24 anos, a administração cotidiana da companhia será entregue a outro executivo. Em uma empresa tão identificada com a figura de seu controlador, a escolha de um profissional com a trajetória de Schvartsman é, por si só, uma mudança relevante de arquitetura de comando.

Schvartsman encontrará uma CSN em plena transformação. Pressionada a reduzir sua alavancagem e simplificar o portfólio, a companhia colocou em marcha neste ano um dos maiores programas de desinvestimento de sua história. O plano anunciado ao mercado prevê levantar entre 15 bilhões e 18 bilhões de reais com a venda de ativos. Só uma participação no braço de infraestrutura, que reúne negócios logísticos do grupo, pode colocar entre 5 bilhões e 8 bilhões de reais no caixa. A CSN Cimentos também entrou na lista de ativos que podem ser negociados. Mais do que tocar as operações, portanto, o novo presidente assume em meio a uma tentativa de redesenhar o tamanho, o balanço e as fronteiras do conglomerado construído por Steinbruch. 

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O currículo escolhido para essa tarefa não é trivial. Antes de chegar à Vale, Schvartsman passou 22 anos pelo Grupo Ultra, onde chegou ao posto de diretor financeiro, comandou a Telemar Participações e a companhia de petróleo e gás San Antonio Internacional e, durante seis anos, presidiu a Klabin. Quando foi escolhido para comandar a Vale, em 2017, seu nome representava justamente a aposta em um gestor profissional com longa experiência financeira e operacional. Agora, aos 72 anos, volta a assumir a presidência de uma das maiores empresas abertas do país. 

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A volta à linha de frente empresarial ocorre sete anos depois de sua saída da Vale, na esteira do rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. Em abril deste ano, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou a reabertura das ações penais contra Schvartsman relacionadas à tragédia, que matou 270 pessoas. O executivo é acusado pelo Ministério Público Federal de homicídio qualificado e crimes ambientais. A decisão do STJ permitiu o prosseguimento dos processos e não representa condenação. 

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A escolha produz, assim, uma combinação pouco usual. De um lado está um empresário que construiu a CSN moderna em torno de sua própria liderança e que, depois de 24 anos, decide abandonar o comando operacional sem abrir mão do controle estratégico. Do outro, um executivo profissional que passou anos longe da presidência de grandes companhias e retorna justamente quando a siderúrgica precisa executar uma transformação delicada, desfazer investimentos, fortalecer o balanço e decidir quais negócios continuarão fazendo parte de seu império.

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Steinbruch continuará no andar de cima. Mas, a partir desta quinta-feira, será Schvartsman quem terá de descer todos os dias à sala de máquinas. Depois de 24 anos, a CSN continuará tendo Benjamin Steinbruch como seu principal dono e estrategista. Pela primeira vez neste século, porém, terá outro homem no volante.

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