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Depoimento de jornalista à Justiça italiana cita propina da Odebrecht no Panamá

Repórter espanhol Joan Solés detalhou entrevista com Valter Lavitola, principal alvo das investigações sobre suposto pagamento de propina no Panamá

Por Da Redação - 17 mar 2015, 10h52

Depoimentos feitos à Justiça italiana mencionam o suposto pagamento de propinas da Odebrecht no Panamá para garantir um contrato público. As declarações reforçaram que o italiano Valter Lavitola intermediou o pagamento dessas propinas pagas pela empresa brasileira pela obra do metrô daquele país. Lavitola falou do envolvimento da empresa brasileira ao repórter espanhol Joan Solés, numa declaração que acabou se transformando em um dos elementos do processo contra o italiano, que é o grande alvo das investigações.

A entrevista, publicada no Panamá nos dias seguintes ao encontro, levou a Justiça italiana a convocar o jornalista para depor. As declarações de Lavitola tornaram-se evidências contra ele mesmo no processo que corre em Nápoles e reforçaram a suspeita de participação da Odebrecht no esquema. A revelação faz parte dos autos do julgamento que corre na Itália, foi aceita pelo Tribunal de Nápoles e não foi questionada por Lavitola.

No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que a Procuradoria Antimáfia da Itália abriu investigação contra a Odebrecht num caso de corrupção no metrô do Panamá. Ela seria uma de muitas empresas envolvidas no esquema supostamente criado pelo ex-presidente do país Ricardo Martinelli. Por se tratar de uma operação da divisão antimáfia, o caso corre em sigilo, segundo informaram fontes ligadas ao processo. Nesse sistema, nem os investigados são informados.

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Entrevista – A entrevista de Lavitola a Solés foi feita no dia 19 de junho de 2013. O italiano o recebeu em sua casa, em Roma, enquanto estava em prisão preventiva domiciliar. Naquele mesmo ano, o jornalista foi convocado a prestar depoimento e narrou todos os detalhes da conversa. No dia 26 de outubro de 2013, Solés declararia à Justiça italiana como encontrou com Lavitola e como ele narrou, numa conversa que durou cinco horas, que o esquema não incluía apenas empresas italianas no pagamento de propinas.

“Ele (Lavitola) fez referência à parte mais importante daquela renda, que vinha de uma propina do contrato da Metropolitana do Panamá (o metrô) a uma empresa do Brasil”, disse o jornalista diante da Justiça. A empresa brasileira que venceu a licitação foi a Odebrecht. O Ministério Público reforçou a pergunta, para saber se Lavitola teria dito que era intermediário “não apenas de empresas italianas, mas também do Brasil. A resposta foi: “Sim”.

“Acredito que ele (Lavitola) tenha dito que US$ 300 milhões correspondiam à propina do metro”, declarou o jornalista aos juízes. Segundo uma transcrição da conversa, Lavitola declarou que, “em quatro anos, muito havia vindo do Brasil, do metrô”. E mencionou que “teriam US$ 850 milhões ou US$ 900 milhões em contas bancárias”. Lavitola admitiu que organizava o pagamento das propinas e direcionava os valores a paraísos fiscais. Vinte por cento do dinheiro ficava com ele pelos serviços. A declaração foi aceita pelo tribunal que, em fevereiro, condenou Lavitola.

Em nota, a Odebrecht declarou que “desconhece qualquer investigação relacionada à obra do metrô do Panamá”. Também ressaltou que “nega veementemente que tenha feito o pagamento de suposta propina para Valter Lavitola”. A empresa destaca que “o Consórcio Línea Uno, no qual a Odebrecht faz parte, disputou legitimamente a licitação, de acordo com as regras do edital, e foi declarado vencedor por obter pontuação superior ao consórcio concorrente”.

(Com Estadão Conteúdo)

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