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Déficit de abril é o pior para o mês desde 1947

Por Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa

Brasília – O déficit em transações correntes no mês de abril foi o pior da série histórica do Banco Central (BC) para o mês desde 1947. O dado foi informado nesta quinta-feira pelo chefe-adjunto do Departamento Econômico da instituição, Fernando Rocha. Segundo ele, o resultado em abril foi influenciado pela balança comercial, que teve desempenho “ligeiramente abaixo do visto nos meses anteriores”.

Em abril, o déficit em transações correntes – indicador que mede todas as transações do Brasil com o exterior, como importações, exportações, investimentos e remessas – registrou a saída líquida de US$ 5,403 bilhões, bem maior que os US$ 3,598 bilhões de igual mês de 2011.

Apesar do resultado negativo de abril, Rocha chamou atenção para o fato de que o déficit em transações correntes nos quatro primeiros meses do ano – de US$ 17,490 bilhões – ser menor que o observado em igual período do ano passado, quando o saldo negativo acumulou US$18,376 bilhões. Rocha também chamou atenção para o fato de que o déficit em transações correntes nos quatro meses é inteiramente coberto pelo ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED).

BC projeta déficit menor com viagens internacionais

Rocha informou ainda que os gastos dos brasileiros em viagens no exterior já começam a apresentar queda, na esteira de um dólar cada vez mais alto. “Esses gastos são diretamente afetados pelo câmbio, já que o dólar mais elevado torna as viagens de brasileiros no exterior mais caras”, disse

Em abril, os gastos caíram na comparação com igual mês do ano anterior – mesmo movimento visto em março. “A trajetória de queda se observa desde março e deve se manter em maio. Portanto, prevemos déficits menores em viagens internacionais. Ou seja, brasileiros estão gastando menos em outros países.”

Ao contrário do que ocorre com as viagens, as oscilações do dólar não afetam a decisão das empresas internacionais de investir no Brasil. Portanto, o câmbio não determina a decisão de Investimento Estrangeiro Direto (IED). “São capitais de longo prazo, cujos determinantes são ligados aos movimentos da economia real e são pouco afetados pela taxa de câmbio. Não deve se esperar que a taxa de câmbio mude os planos de longo prazo, já que o determinante são as perspectivas da economia doméstica”, explicou Rocha.