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De olho no movimento externo, dólar futuro abre em alta

Por Da Redação 11 jun 2012, 10h26

Por Silvana Rocha

São Paulo – O mercado de câmbio doméstico deve ficar atento ao longo do dia aos movimentos do euro e à demanda interna por dólar, que devem determinar o rumo das cotações locais da divisa dos Estados Unidos. Após subir mais cedo a US$ 1,2669, reagindo à decisão dos líderes europeus de fornecer até 100 bilhões de euros para a Espanha recapitalizar os bancos do País, a moeda única europeia perde força e induz a abertura em alta do dólar futuro na BM&F. Após abrir a sessão cotado R$ 2,0315 (+0,10%), o dólar para julho de 2012 oscilou até 9h32 entre uma máxima de R$ 2,0340, alta de 0,22%, e uma mínima de R$ 2,0260 (-0,17%).

Para o mercado local, a expectativa é de que o Banco Central vá monitorar a demanda por dólares, a fim de conter a volatilidade exagerada o dólar e eventual pressão de alta acentuada das cotações. A percepção é de que a autoridade monetária deve se observar demanda e eventual falta de liquidez. Na última sexta-feira, após o dólar no balcão avançar até a máxima de R$ 2,0420 (+0,64%), o Banco Central fez um leilão de até 30 mil contratos de swap cambial, com dois vencimentos, equivalente a US$ 1,5 bilhão, e negociou 67,6% da oferta total, ou 20,4 mil contratos com dois vencimentos, em um total de US$ 1,014 bilhão.

Em Nova York, às 9h32 (pelo horário de Brasília), o euro estava em US$ 1,2545, ante US$ 1,2562 no fim da tarde de sexta-feira. O dólar valia 79,51 ienes, de 79,52 ienes, e estava em 0,9572 franco suíço, de 0,9595 franco suíço no fim da tarde de sexta-feira. A moeda norte-americana operava em alta diante de divisas de países emergentes exportadores de commodities, como o dólar australiano (+0,42%), o dólar canadense (+0,28%); e o dólar neozelandês (+0,15%).

O movimento expressa busca de proteção porque os agentes financeiros têm dúvidas se o plano de resgate bancário será suficiente para acabar com a crise na Espanha. Ainda não está claro de onde sairão os recursos a serem fornecidos para a Espanha nem qual é o volume exato da ajuda. As expectativas com as eleições na Grécia no próximo domingo também podem voltar a pressionar os mercados.

A agência Moody’s Investors Service alertou em nota na sexta-feira que, se voltar a crescer o risco de a Grécia sair da zona do euro, haverá pressão adicional sobre os ratings de crédito de toda a região, com possíveis perdas aos investidores em títulos gregos, além de ameaçar a própria existência do euro. A agência também disse que o risco de uma saída da Grécia afeta particularmente a qualidade de crédito de Chipre, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Mas, caso a Grécia deixe a união monetária, todos os ratings soberanos da zona do euro serão reavaliados, inclusive os dos países com classificação AAA; o rating atual da Grécia é C.

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Convém lembrar que, na quinta-feira passada, durante o feriado no Brasil, a Fitch Ratings já rebaixou a nota da dívida de longo prazo em moeda estrangeira e em moeda local da Espanha para BBB, de A. O rating de default de emissor (IDF) de curto prazo foi rebaixado para F2, de F1. A perspectiva dos ratings de longo prazo é negativa. Num desdobramento dessa decisão, na sexta-feira, a Fitch rebaixou os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira de 11 governos locais e regionais da Espanha, além de cinco empresas relacionadas com a administração pública. A perspectiva para todas as regiões é negativa.

Na Espanha, apesar do pedido de ajuda financeira à União Europeia, as perspectivas para a economia do país continuam nebulosas em meio à sua segunda recessão em três anos e as altas taxas de desemprego. O pedido formal de empréstimo à União Europeia será feito antes do encontro dos ministros das Finanças da zona do euro, previsto para o dia 21 de junho em Luxemburgo. O ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos, afirmou ontem que, além de uma taxa de juros para o empréstimo inferior aos preços do mercado, As condições serão impostas aos bancos e não à sociedade espanhola, nem à política econômica e fiscal. O ministro, porém, não revelou a taxa do empréstimo.

Segundo Guindos, o empréstimo será incorporado ao endividamento da Espanha, mas destacou que o país não precisará acionar o valor total de até 100 bilhões de euros colocados à disposição da Espanha pela União Europeia. A cifra exata só será decidida quando uma série de avaliações dos documentos de empréstimos dos bancos por consultores externos for concluída, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

Na Itália, a economia teve contração de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, conforme o esperado, em relação aos três meses anteriores. Com isso, o PIB italiano já apresenta contração por três trimestres consecutivos. Encolheu 0,7% nos três últimos meses de 2011 e 0,2% no terceiro trimestre do ano passado. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2011, o PIB teve uma queda de 1,4%, acima da leitura preliminar do Istat de contração de 1,3%. De outro lado, a França registrou aumento na produção industrial de 1,5% em abril em relação a março, enquanto os economistas previam que a produção ficaria estável. Em março, o INSEE revisou a produção industrial para um recuou de 1,0%, acima da contração de 0,9%, como estimado anteriormente. Mais amplamente, a produção industrial em fevereiro, março e abril foi, no geral, 1,8% inferior à assinalada nos mesmos meses de 2011.

Nos Estados Unidos, os Bancos, emissores de títulos e investidores estão se preparando para os reflexos de uma série de rebaixamento de bancos norte-americanos que deve ter início já na próxima semana, de acordo com a edição de final de semana do Wall Street Journal. A Moody’s Investors Service informou que deve reduzir até o final de junho a classificação de crédito de 17 grandes bancos, incluindo cinco das seis maiores empresas financeiras norte-americanas por ativos. Os rebaixamentos devem elevar o custo de empréstimos em bancos como J.P. Morgan Chase & Co., Bank of America Corp., Citigroup Inc., Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley.

Já os dados da economia chinesa surpreenderam em maio, com aumento acima do esperado no comércio exterior e desaceleração da inflação para 3%. A produção industrial veio abaixo do projetado por analistas, mas fechou em patamar superior ao registrado no mês anterior. Ao mesmo tempo em que indica perda de fôlego da atividade econômica, a redução da pressão dos preços amplia o espaço para o governo chinês adotar medidas de apoio ao crescimento econômico, depois do primeiro corte da taxa de juros de 0,25 ponto porcentual em mais de três anos, anunciado na quinta-feira. O índice de preços ao consumidor chinês em maio aumentou 3% em relação ao mesmo período de 2011, ante 3,4% em abril. O indicador também ficou abaixo das previsões dos economistas, de 3,2%.

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