ASSINE VEJA NEGÓCIOS

De Mappin a Saraiva: relembre gigantes do varejo brasileiro que quebraram

Pedido de recuperação judicial da Casas Bahia remete a redes que dominaram o comércio nacional antes de sucumbir a dívidas, juros altos e mudanças no consumo

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 ago 2026, 08h46 | Atualizado em 18 ago 2026, 08h57
De Mappin a Saraiva: relembre gigantes do varejo brasileiro que quebraram Priorizar nos meus resultados Google

O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, apresentado no domingo, 16, acrescentou um novo capítulo à história das crises no varejo brasileiro. A companhia pretende renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter suas operações durante o processo.

O pedido envolve dez empresas do grupo, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto, pelo comércio eletrônico do Extra e pela fabricante de móveis Bartira. A rede já anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de aproximadamente 3. 000 funcionários.

A recuperação judicial, no entanto, não significa falência. O mecanismo permite que uma companhia continue funcionando enquanto negocia com seus credores sob supervisão da Justiça. A Casas Bahia afirma que pretende reorganizar as dívidas, preservar o caixa e concentrar recursos nas operações mais rentáveis.

A crise remete à trajetória de outras redes que já dominaram o comércio brasileiro, mas desapareceram ou reduziram drasticamente suas operações. Algumas tiveram a falência decretada; outras fecharam as lojas antes de chegar a essa etapa.

Mappin

Fundado em 1913, o Mappin tornou-se uma referência do comércio de São Paulo. Sua unidade na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital, reunia departamentos de roupas, móveis, eletrodomésticos e outros produtos.

Continua após a publicidade

A rede começou a enfrentar dificuldades financeiras na década de 1990 e foi vendida ao empresário Ricardo Mansur em 1996. Três anos depois, acumulava cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas e mais de 300 pedidos de falência.

A Justiça decretou a falência em julho de 1999. Cerca de 2. 000 funcionários ficaram sem emprego. A marca seria posteriormente comprada pela Marabraz, que tentou relançá-la no comércio eletrônico.

Mesbla

A Mesbla começou a operar no Brasil em 1912 e chegou a ter aproximadamente 180 lojas e mais de 28. 000 funcionários. Durante décadas, foi uma das principais lojas de departamentos do país.

Continua após a publicidade

A empresa entrou em crise após acumular estoques excessivos e perder espaço para concorrentes mais especializados, hipermercados e shopping centers. O fim da inflação elevada após o Plano Real também expôs problemas financeiros que antes eram parcialmente encobertos pelos reajustes frequentes dos preços.

Ricardo Mansur comprou a Mesbla em 1997, quando já controlava o Mappin. A tentativa de unir as duas empresas não prosperou, e ambas tiveram a falência decretada em 1999. A Mesbla devia aproximadamente R$ 1 bilhão.

G. Aronson

Criada em 1944, a G. Aronson ganhou espaço com a venda financiada de móveis e eletrodomésticos. A rede chegou a manter dezenas de unidades e ficou conhecida entre consumidores de menor renda em São Paulo.

Continua após a publicidade

A dependência do crédito também aumentou sua exposição à alta dos juros e à inadimplência. Em 1998, a empresa entrou em concordata, mecanismo anterior à atual recuperação judicial.

Sem recursos para pagar fornecedores e renovar os estoques, a G. Aronson fechou as últimas lojas em junho de 1999. Naquele momento, acumulava cerca de R$ 65 milhões em dívidas.

Lojas Arapuã

Fundada no interior de São Paulo, a Arapuã chegou a ter 265 lojas e esteve entre as maiores redes brasileiras de eletrodomésticos nos anos 1980 e 1990.

Continua após a publicidade

A crise asiática de 1997 levou o governo brasileiro a elevar os juros para conter a saída de recursos do país. A medida atingiu diretamente as empresas dependentes das vendas parceladas. A inadimplência dos clientes da Arapuã aumentou e os créditos em atraso chegaram a cerca de R$ 550 milhões em 1998.

A empresa pediu concordata naquele ano, mas não conseguiu cumprir o acordo com os credores. A falência foi decretada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2009. Depois de uma nova disputa judicial, o STJ manteve a quebra da companhia em 2020.

Lojas Brasileiras

Concorrente direta das Lojas Americanas, a Lojas Brasileiras — conhecida como Lobrás — foi fundada em 1944 e chegou a operar em boa parte do país.

Continua após a publicidade

Controlada pela família Goldfarb, dona da Marisa, a empresa acumulou três anos consecutivos de prejuízos. Em 1999, possuía 63 unidades em vinte estados, empregava milhares de pessoas e acumulava cerca de R$ 100 milhões em dívidas.

A família decidiu encerrar a operação para evitar que os prejuízos afetassem a Marisa. Parte dos pontos comerciais foi transferida para a rede de moda. Diferentemente de Mappin e Mesbla, a Lobrás fechou as portas sem ter a falência decretada naquele momento.

Ricardo Eletro

A Ricardo Eletro cresceu rapidamente a partir de Minas Gerais e, depois de uma série de fusões, passou a integrar a Máquina de Vendas, grupo que também reuniu as marcas Insinuante, City Lar, Eletro Shopping e Salfer.

No auge, a companhia teve cerca de 30. 000 funcionários e faturamento anual próximo de R$ 10 bilhões. A expansão, porém, foi acompanhada por um endividamento elevado.

Em agosto de 2020, o grupo pediu recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 4 bilhões e fechou centenas de lojas. A falência chegou a ser decretada em 2022, mas foi suspensa e posteriormente revertida. A operação tentou retornar ao varejo físico com o nome Nossa Eletro e permanece vinculada ao processo de recuperação.

Saraiva

Fundada em 1914, a Saraiva tornou-se uma das maiores redes de livrarias do Brasil. A companhia ampliou sua presença ao comprar a Siciliano em 2008, mas passou a enfrentar dificuldades com o avanço do comércio eletrônico, os aluguéis elevados e a retração do mercado editorial.

A empresa pediu recuperação judicial em 2018. Após anos de fechamento de lojas e tentativas de reestruturação, encerrou suas últimas unidades físicas em 2023. A falência foi decretada pela Justiça em outubro daquele ano.

No caso da Casas Bahia, as lojas e os canais digitais continuam funcionando. A empresa ainda deverá apresentar um plano de pagamento, que será analisado pelos credores e pela Justiça.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).