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Davos é palco de embate velado entre Rohani e Netanyahu

Presidente iraniano foi a novidade do segundo dia do evento e discursou com moderação; já premiê israelense classificou o desempenho do rival como “farsa”

Por Ana Clara Costa, de Davos 23 jan 2014, 22h58

Irã e Israel confirmaram presença no Fórum Econômico Mundial, em Davos, quase ao mesmo tempo. Benjamin Netanyahu, premiê israelense, é figura constante no evento. Seus discursos são célebres pela clareza com que expõe suas ideias e sua presença não passa despercebida devido ao enorme contingente de seguranças que seguem seus passos em todos os corredores do Fórum. Já Hassan Rohani compareceu pela primeira vez nesta quinta-feira — uma década depois que o último presidente iraniano pisou no Kongress Center, local onde ocorre o evento.

Exatas quatro horas e quinze minutos separaram os discursos dos dois em Davos. E, pelo fato de terem ocorrido exatamente no mesmo ambiente, uma plenária com capacidade para 1 500 pessoas, torna-se impossível não tecer comparações. Rohani foi a novidade. Uma fila monstruosa se formou em frente à plenária minutos antes de sua chegada. Quando finalmente todos puderam entrar, as cadeiras não se mostraram suficientes e dezenas de participantes tiveram de ouvir em pé os 40 minutos transcorridos entre o discurso do iraniano e as perguntas feitas por Klaus Schwab, criador do Fórum. Rohani discursou em farsi, sorriu pouco e não demonstrou qualquer sinal de hesitação ao afirmar que não há, em hipótese alguma, armamento nuclear em seu país. Se a afirmação se provar falsa na próxima inspeção feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o novo presidente da república islâmica se mostrará, sem dúvida, um mentiroso de talento. Desde que assumiu o poder, em agosto de 2013, o clérigo xiita se empenha em mostrar sua face moderada. Contudo, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da nação, tem a última palavra sobre tudo o que importa no país.

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Netanyahu, discursando para um público muito menor, no mesmo espaço, lançou mão da clareza que lhe é peculiar para vender Israel como destino de investimentos. Afinal, ainda que a intenção oficial do Fórum seja fomentar discussões produtivas entre grandes líderes mundiais, todos que estão lá dentro sabem que o evento tem uma forte veia de captação de recursos. Ali, muitas decisões de investimentos são tomadas e muitas fusões dão seus primeiros passos. Assim, o governante israelense não hesitou em falar das startups de seu país, da produtividade de sua indústria e de sua tecnologia de ponta no tratamento da água. “Nossas vacas são as que mais produzem leite em todo o mundo. Até seus mugidos são calculados”, afirmou o israelense em inglês perfeito, arrancando risos da plateia.

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A questão palestina só veio à tona quando trazida por Klaus Schwab, durante os minutos de perguntas e respostas que sucederam o discurso. Apenas Schwab tem o direito de perguntar durante as sessões especiais conduzidas por chefes de estado – o suíço não costuma ter o menor receio de poupar a figura que está diante da tribuna de questões embaraçosas. E, ao falar da Palestina, o próprio premiê israelense trouxe o Irã ao centro do debate, afirmando que o alinhamento de opiniões sobre o Irã entre Israel e Palestina é um ponto importante das negociações de paz. “Concordamos em muitos aspectos. Sobre a guerra na Síria, os problemas no Egito e o perigo que o Irã representa”, disse. Segundo Netanyahu, as afirmações feitas por Rohani soaram bem para muitos ouvidos, mas são falsas. “Ele fala em combater a guerra na Síria quando foi o Irã que ajudou o grupo Hezbollah a agir durante o conflito. Ajudou a financiar tudo. Ele falou em combate ao terrorismo quando é justamente o governo que patrocina os terroristas. Tudo o que ele disse é bonito, mas é falso”, afirmou o líder israelense, na presença do presidente Shimon Peres, que também estava na plateia.

O acordo nuclear preliminar com os Estados Unidos começa a desmontar as sanções contra o Irã e permite ao país continuar com o processo de enriquecimento de urânio em troca de determinadas garantias de que não saltará daí para a produção de armas atômicas. O acordo quase que elimina o risco a curto prazo de um ataque isolado de Israel contra o Irã. As negociações para o acordo antecederam a vitória de Rohani nas eleições presidenciais de junho do ano passado, mas sua imagem mais moderada, em comparação com o antecessor Mahmoud Ahmadinejad, ajudou a desenrolar o processo.

Rohani exercitou em Davos seus atributos políticos, defendendo o Irã sem tecer críticas diretas a ninguém. Ainda que seu discurso tenha pouca – ou nenhuma – verdade, criou-se uma boa primeira impressão junto à comunidade empresarial, que se mostrou fascinada com a “serenidade” do presidente iraniano, segundo empresários que assistiram ao discurso – mas não quiseram ser citados elogiando Rohani.

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