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Davi destrava MP das blusinhas, mas Lula ainda não tem acordo para enterrar taxa

Pré-acordo com lideranças garante tramitação da medida, enquanto indústria e varejo pressionam o Congresso pela volta da cobrança e Planalto corre contra o relógio para formar maioria

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 ago 2026, 12h30
Davi destrava MP das blusinhas, mas Lula ainda não tem acordo para enterrar taxa Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu construir com as lideranças partidárias um pré-acordo para destravar a tramitação da medida provisória que permitiu ao governo zerar a chamada taxa das blusinhas. O entendimento, no entanto, termina aí. O Radar Econômico apurou que ainda não há qualquer acordo sobre o texto que será votado nem compromisso das bancadas para aprová-lo. O nome que conduzirá a matéria também continua em negociação e deve sair do MDB. A segunda reunião da comissão mista está marcada para 1º de setembro e a MP perde a validade no dia 8.

A diferença entre concordar em tramitar e concordar em votar tornou-se o centro de uma disputa que se intensificou nas últimas semanas. Deputados e senadores têm recebido abordagens quase diárias de representantes da indústria e do varejo, de um lado, e de emissários do governo, de outro. Os primeiros trabalham para preservar a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — ou, ao menos, incluir proteções e compensações para empresas brasileiras. O Planalto busca impedir que a MP caduque e a taxa volte automaticamente poucas semanas antes do primeiro turno. “O acordo para votação é outro acordo. Este não existe ainda”, resumiu reservadamente ao Radar Econômico um senador que acompanha as negociações.

A reaproximação recente entre Lula e Alcolumbre passou a ser uma peça importante dessa corrida. Os dois se encontraram três vezes em dez dias, depois de meses de uma relação desgastada, e o presidente do Senado já destravou outras pautas de interesse do Planalto, como o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança e o projeto dos minerais críticos. Na MP das blusinhas, Davi trabalha agora para superar a indefinição sobre o comando da comissão e dar condições para que o texto chegue ao esforço concentrado do Congresso. Mas colocar a matéria para andar é apenas a primeira parte do problema.

A resistência tem peso político e econômico. ABVTEX, Abit e IDV defendem publicamente a rejeição da medida ou que ela simplesmente perca a validade. A Coalizão Prospera Brasil, liderada pela ABVTEX, já colocou nas ruas uma mobilização contra a vantagem tributária concedida às plataformas estrangeiras. A CNI foi além e acionou o Supremo Tribunal Federal para derrubar a isenção, sob o argumento de que ela fere a isonomia e a livre concorrência e prejudica empresas instaladas no Brasil. A CNC também levou o tema ao STF.

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Essa pressão já aparece dentro da própria comissão. Fernando Dueire (PSD-PE) apresentou emenda para preservar a tributação sobre vestuário e confecção. Julio Lopes (PP-RJ), Izalci Lucas (PL-DF) e Luiz Gastão (PSD-CE) estão entre os parlamentares que apresentaram propostas destinadas a reduzir a vantagem dos importados ou aumentar a proteção ao comércio nacional. A existência dessas emendas mostra que a derrota do governo não depende necessariamente de a MP ser rejeitada por inteiro: o Congresso pode aprová-la e retirar justamente setores como roupas e calçados do benefício. As mais de cem emendas apresentadas deixam ainda mais distante, neste momento, um texto consensual.

É aí que o calendário começa a trabalhar contra o Planalto. O próximo esforço concentrado da Câmara vai de 31 de agosto a 3 de setembro, enquanto Alcolumbre convocou os senadores presencialmente entre 31 de agosto e 4 de setembro. A própria Câmara reconhece que, por causa das eleições, propostas mais controversas têm maior dificuldade para avançar nessa janela. A MP das blusinhas, porém, não tem a opção de ficar para depois: se não atravessar comissão, Câmara e Senado até 8 de setembro, perde a validade.

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O desafio de Lula, portanto, não é mais convencer Davi a deixar a MP tramitar. Esse caminho começou a ser aberto. É usar a reaproximação com o presidente do Senado para chegar ao início de setembro com um comando definido, um texto minimamente pacificado e deputados e senadores suficientes para enfrentar uma articulação empresarial que reúne algumas das entidades mais influentes da indústria e do varejo. Por enquanto, o governo conquistou o direito de levar a batalha ao plenário. Ainda não conquistou os votos para vencê-la.

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