ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Da fralda à lavoura: Basf cresce mesmo com matéria-prima cara e concorrência acirrada

A Basf inova e lidera o setor químico no Brasil, superando desafios com um portfólio diversificado e alta rentabilidade

Por André Vargas 28 ago 2026, 05h30
Da fralda à lavoura: Basf cresce mesmo com matéria-prima cara e concorrência acirrada Priorizar nos meus resultados Google

Em um segmento que sofre com excesso de oferta, falta de investimentos estruturais e acirrada concorrência asiática, liderar em eficiência e inovação exige planejamento, pesquisa, força de venda e capacidade para atender os clientes mantendo escala, qualidade e preço. É assim que a Basf se coloca na indústria química brasileira, crescendo em faturamento acima da economia (3,4%, em 2024, e 2,3%, em 2025). A rentabilidade em relação ao patrimônio líquido da companhia ficou em poderosos 46,3% em 2025, ante uma média geral de 20% do setor, números que a situam como destaque no prêmio TOP30.

Priscila Camara: proximidade com clientes e ênfase na qualidade
Priscila Camara: proximidade com clientes e ênfase na qualidade (Claudio Gatti/.)

A fórmula não está apenas no tamanho e no tempo de operação — são 115 anos do grupo alemão no país —, mas na conjunção de um amplo portfólio que permite direcionar estratégias conforme as necessidades dos clientes industriais e dos consumidores finais. O melhor exemplo vem de Camaçari, na Bahia, de onde saem polímeros superabsorventes (PSA), matéria-prima de fraldas e outros produtos de higiene. Uma variante do PSA também é usada na agricultura como hidrorretentor, um gel que, misturado ao solo, armazena água e fertilizantes que são liberados aos poucos às plantas em períodos de estiagem, economizando em irrigação e manejo. A empresa também fornece revestimentos termoacústicos para construção e automotivos (poliuretanos), componentes para tintas, adesivos, resinas e tratamento de água (acrilatos e ácidos acrílicos), catalisadores para refino de biodiesel (metilato de sódio) e ingredientes para limpeza (tensoativos) que permitem a retirada de oleosidades e gorduras. Ou seja, a Basf está na vida cotidiana, do banho até a lavoura.

Continua após a publicidade

Diretora-executiva para o Brasil e vice-presidente sênior para Petroquímicos na América do Sul, Priscila Camara afirma que as vantagens de um parque diversificado (cinco polos em quatro cidades) permitem atender melhor os clientes. A amplitude funciona como proteção contra as intempéries de mercado, como o conflito Estados Unidos-Irã, que elevou o preço dos plásticos. “Se temos um segmento com problema, outro pode estar sendo beneficiado”, diz Camara. Essa característica diverge do modelo predominante no setor, com empresas concentradas em segmentos específicos, como petroquímicos básicos, resinas ou especialidades químicas. Nem por isso a Basf fica presa em manter o que não considera adequado. Em 2025, vendeu a marca e as unidades de tintas da Suvinil para a americana Sherwin-Williams por 1,1 bilhão de dólares. “O foco da empresa está em fortalecer os ativos competitivos e aproveitar as vantagens de um mercado grande e de um agronegócio muito forte”, diz João Zuñeda, sócio-fundador da consultoria setorial MaxiQuim. “Mas, apesar desse potencial, investir na indústria química brasileira continua sendo difícil.” Para ele, o desempenho positivo da Basf se deve a três fatores: disciplina estratégica, gestão de portfólio e excelência operacional.

Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).