Da fralda à lavoura: Basf cresce mesmo com matéria-prima cara e concorrência acirrada
A Basf inova e lidera o setor químico no Brasil, superando desafios com um portfólio diversificado e alta rentabilidade
Em um segmento que sofre com excesso de oferta, falta de investimentos estruturais e acirrada concorrência asiática, liderar em eficiência e inovação exige planejamento, pesquisa, força de venda e capacidade para atender os clientes mantendo escala, qualidade e preço. É assim que a Basf se coloca na indústria química brasileira, crescendo em faturamento acima da economia (3,4%, em 2024, e 2,3%, em 2025). A rentabilidade em relação ao patrimônio líquido da companhia ficou em poderosos 46,3% em 2025, ante uma média geral de 20% do setor, números que a situam como destaque no prêmio TOP30.
A fórmula não está apenas no tamanho e no tempo de operação — são 115 anos do grupo alemão no país —, mas na conjunção de um amplo portfólio que permite direcionar estratégias conforme as necessidades dos clientes industriais e dos consumidores finais. O melhor exemplo vem de Camaçari, na Bahia, de onde saem polímeros superabsorventes (PSA), matéria-prima de fraldas e outros produtos de higiene. Uma variante do PSA também é usada na agricultura como hidrorretentor, um gel que, misturado ao solo, armazena água e fertilizantes que são liberados aos poucos às plantas em períodos de estiagem, economizando em irrigação e manejo. A empresa também fornece revestimentos termoacústicos para construção e automotivos (poliuretanos), componentes para tintas, adesivos, resinas e tratamento de água (acrilatos e ácidos acrílicos), catalisadores para refino de biodiesel (metilato de sódio) e ingredientes para limpeza (tensoativos) que permitem a retirada de oleosidades e gorduras. Ou seja, a Basf está na vida cotidiana, do banho até a lavoura.
Diretora-executiva para o Brasil e vice-presidente sênior para Petroquímicos na América do Sul, Priscila Camara afirma que as vantagens de um parque diversificado (cinco polos em quatro cidades) permitem atender melhor os clientes. A amplitude funciona como proteção contra as intempéries de mercado, como o conflito Estados Unidos-Irã, que elevou o preço dos plásticos. “Se temos um segmento com problema, outro pode estar sendo beneficiado”, diz Camara. Essa característica diverge do modelo predominante no setor, com empresas concentradas em segmentos específicos, como petroquímicos básicos, resinas ou especialidades químicas. Nem por isso a Basf fica presa em manter o que não considera adequado. Em 2025, vendeu a marca e as unidades de tintas da Suvinil para a americana Sherwin-Williams por 1,1 bilhão de dólares. “O foco da empresa está em fortalecer os ativos competitivos e aproveitar as vantagens de um mercado grande e de um agronegócio muito forte”, diz João Zuñeda, sócio-fundador da consultoria setorial MaxiQuim. “Mas, apesar desse potencial, investir na indústria química brasileira continua sendo difícil.” Para ele, o desempenho positivo da Basf se deve a três fatores: disciplina estratégica, gestão de portfólio e excelência operacional.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







