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Custo de mão de obra na construção preocupa, diz Living

Por Circe Bonatelli

São Paulo – A evolução dos custos com mão de obra na construção civil preocupa, admitiu hoje Marcelo Ribeiro, diretor corporativo da Living, braço da Cyrela Brazil Realty destinado ao segmento residencial econômico. “A mão de obra é hoje a principal variável da atividade”, afirmou Ribeiro à Agência Estado. A variação, segundo ele, se refere tanto à alta dos custos nos últimos anos quanto à diferença de produtividade dos trabalhadores em cada canteiro.

Para contornar a pressão dos custos sobre as margens da companhia, Ribeiro disse que, em 2012, a construtora irá concentrar a expansão dentro das cidades onde já atua, em vez de buscar novas localidades. A medida, segundo o executivo, tem o objetivo de conter despesas operacionais. “Vamos crescer em número de unidades, não em cidades”, afirmou.

Ribeiro também disse que a Living tem investido na capacitação da trabalhadores para aumentar a produtividade nos canteiros. Ele citou como exemplo Porto Alegre, onde 50 mulheres se formarão em dezembro em um curso de três meses promovido pela construtora na área de acabamento. Ele acrescentou que a Living também tem mantido uma equipe própria em setores considerados estratégicos na obra, como estrutura e instalações. “A equipe própria equivale a cerca de 30% do total”, disse.

Outra saída tem sido a negociação na compra de insumos. Os ganhos são decorrentes da escala da compra e da definição de um cronograma de entrega junto aos fornecedores. “Com isso, a variação do preço dos materiais para a Living ficou abaixo da variação da cesta de produtos do INCC”, contou Ribeiro.

Pressão

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) subiu 7,84% no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em novembro. Entre os seus três componentes, a principal elevação foi registrada nos custos de mão de obra, que deu um salto de 11,39% no período, quase o dobro da alta dos preços de serviços (6,03%) e quase o triplo da alta nos preços dos insumos e equipamentos (4,10%).

Até a metade de 2012, Ribeiro acredita que a evolução dos custos com mão de obra deve se estabilizar, com alta em torno de 5%, um resultado mais próximo da variação do INCC prevista para o período. O executivo acredita que a alta permanecerá estável mesmo com as projeções de crescimento do PIB da construção acima do PIB nacional (5,2% ante 3%, segundo dados do Sinduscon-SP) e a aceleração das obras governamentais de infraestrutura e de habitação. “As pessoas já tiveram a remuneração otimizada com o boom da construção entre 2007 e 2010, e agora chegamos a um ponto de inflexão”, avaliou.