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Cultura perde peso na economia brasileira

Setor cresceu menos do que os demais, revela IBGE, com base em 5 estudos

Por Da Redação - 18 out 2013, 10h00

O mercado ligado a atividades e serviços culturais não conseguiu acompanhar, em volume, o ritmo das demais atividades econômicas no Brasil. Durante o período de 2007 a 2010, as empresas que atuavam em produção cultural cresceram 8,9% – aquém do esperado, se o setor é comparado com o total de empresas do país, que demonstrou uma expansão de 16% no mesmo período. O comportamento do setor é detalhado no Sistema de Informações e Indicadores Culturais, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O novo estudo é um compilado de cinco levantamentos, que abrangem diferentes períodos de 2007 a 2012.

De acordo com o Cadastro Central de Empresas (Cempre), em 2010 havia cerca de 400.000 organizações formalmente constituídas (com CNPJ) no segmento cultural, o que correspondia a 7,8% do total de empresas do país. A participação é meio ponto porcentual menor, na comparação com 2007, e praticamente se manteve estável também no que diz respeito a ocupações e remunerações. Nessas companhias trabalhavam, em 2010, 2,1 milhões de pessoas, das quais 73,5% eram assalariadas.

“Todos os setores da economia tiveram crescimento, mas como o da cultura foi menor podemos dizer que seu peso caiu em relação ao total de empresas”, destaca Cristina Pereira de Carvalho Lins, coordenadora técnica do IBGE. Por outro lado, o valor do salário médio mensal continua mais alto do que a média geral, em torno de 30%. O maior destaque ficou com serviços (produção de rádio e televisão, por exemplo), responsável pelo pagamento de mais de 70% dos salários nas atividades culturais. Também é este o setor com maior número de empresas e empregados no segmento.

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Trabalho em cultura - IBGE
Trabalho em cultura – IBGE VEJA

Ocupação – Também sofreu redução o número de trabalhadores vinculados ao setor cultural, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Eles eram 4,2 milhões em 2007 e passaram para 3,7 milhões em 2012, uma queda de 12,6%, ou 500.000 pessoas a menos. Os dados gerais do país, por outro lado, mostram aumento de 5,3% no total da população ocupada no mesmo período. A participação da cultura, por consequência, caiu de 4,6% para 3,9%. “Como outros setores cresceram, uma das possiblidades é de essas pessoas terem migrado de atividade. Fato é que a cultura não se recuperou da crise econômica de 2009 – porque vinha evoluindo até então”, avalia Cristina.

Quase 40% dos empregados em cultura têm carteira de trabalho assinada e seu rendimento médio real mensal foi estimado em 1.553 reais em 2012 – 6,4% acima do valor geral, de 1.460 reais. A diferença acompanha a escolarização: 20,8% têm ensino superior completo no setor, índice que não passa de 14% na média nacional. Outra inversão ocorre na relação cor ou raça. Entre os trabalhadores gerais, pretos e pardos são maioria (51,9%), enquanto na cultura quem predomina são os brancos (57,5%). Manteve-se a maior participação do sexo masculino (53%) no segmento, que tem proporcionalmente mais jovens: 21,7% têm de 16 a 24 anos de idade e 62,1% não completou 40 anos. Entre a população ocupada em geral, esses índices foram de 16,9% e 56,5%, respectivamente.

Brasileiros – Para as famílias brasileiras, cultura é o quarto principal item de consumo – atrás apenas de habitação, alimentação e transporte, mas à frente de saúde, vestuário e até educação, indica a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Elas gastaram, no período 2008-2009, 8,6% do orçamento mensal (cerca de 185 reais) em produtos e serviços culturais. Telefonia representa a maior parte desse investimento, 42,4% – sem considerá-la, o total gasto cai para 5%. O segundo consumo fica com aquisição de eletrodomésticos (15,7%), seguido por atividades de cultura, lazer e festas (14,1%).

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Poder aquisitivo e escolaridade influenciam nas escolhas. “As despesas com cultura são menores quanto menor for a classe de rendimento da família. E quando o nível de instrução da pessoa de referência é menor, seu gasto com produtos e serviços relacionados ao setor também é mais reduzido”, detalha o IBGE. Isso ocorre também, lembra a coordenadora técnica, porque as prioridades da população de baixa renda são outras. A despesa média é menor ainda nos domicílios onde o homem é chefe de família (6,5%, ante 7,1% quando é a mulher quem comanda), e entre quem mora sozinho (um ponto porcentual abaixo de casais com filhos).

Consumo cultura - IBGE
Consumo cultura – IBGE VEJA

Gastos – Na esfera pública, a participação dos gastos no setor cultural ficaram estáveis entre 2007 e 2010, em torno de 0,3%. Somados, governos federal, estadual e municipal investiram no último ano do estudo cerca de 7,3 bilhões de reais. O proporcional gasto, contudo, em saúde e educação, cresceram entre 0,8 e 1,3 ponto percentual no mesmo período. As informações são do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), das Finanças do Brasil (Finbra) e da Execução Orçamentária dos Estados. Os mais representativos são os governos municipais – com destaque especial para São Paulo -, responsáveis por 44,5% do valor total em 2010. Aos Estados cabem 35%, e à União, 20,5%.

Receita – Pesquisas estruturais econômicas do IBGE indicam ainda que havia, em 2010, 239.000 empresas ativas relacionadas ao setor cultural no Brasil, cada uma empregando sete pessoas, em média. Esse levantamento se refere a três segmentos: indústria de transformação (Pesquisa Industrial Anual-Empresa – PIA), comércio (Pesquisa Anual de Comércio – PAC) e serviços não-financeiros (Pesquisa Anual de Serviços – PAS). As atividades culturais obtiveram cerca de 374,8 bilhões de reais de receita líquida (8,3% do total geral), uma queda de 0,6 ponto porcentual na participação em relação a 2007.

No mesmo período, as atividades culturais apresentaram um aumento do custo do trabalho, que é a relação entre o gasto com pessoal e a receita líquida. O indicador passou de 14,1% para 16,3%. Já os custos totais das atividades culturais registraram participação decrescente na comparação com o conjunto da indústria, do comércio e dos serviços, passando de 9,1% em 2007 para 8,4% em 2010. O mesmo ocorreu em relação à proporção do valor adicionado bruto (o que a atividade acrescenta aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo), que caiu de 12,4% para 11,4%.

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