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Crise na Petrobras pode afetar bancos brasileiros, diz Moody’s

Para agência que rebaixou a nota de crédito da estatal na semana passada, governo pode obrigar bancos públicos a financiar empresa e seus fornecedores

Por Da Redação - 3 mar 2015, 18h11

Depois de rebaixar a nota de crédito da Petrobras, a agência de classificação de risco Moody’s divulgou um relatório em que mostra a preocupação com os bancos brasileiros, especialmente pelo risco de respingos dos problemas da estatal.

De acordo com a agência, os riscos são maiores para os bancos públicos brasileiros, que poderiam ser obrigados pelo governo a oferecer à Petrobras e seus fornecedores suporte para evitar uma crise de crédito.

“A investigação na Petrobras poderia exacerbar a situação para os bancos brasileiros, uma vez que as expectativas para crescimento do crédito em 2015 já eram modestas”, afirmou Celina Vansetti-Hutchins, diretora da Moody’s.

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Ela alerta que os lucros dos bancos podem ser prejudicados com o aumento nas provisões relacionadas a perdas com a Petrobras, seus fornecedores ou outras empresas do setor de óleo e gás. Assim, se isso acontecer, pode levar a um aperto de crédito, “o que poderia ter repercussões na economia brasileira”.

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A Moody’s explicou que os bancos do país elevaram, nos últimos anos, sua exposição às indústrias de óleo e gás e construção civil. Com o estouro da Operação Lava Jato, as instituições têm limitado o crédito para esses setores, mas a agência acredita que os bancos continuarão a financiar a Petrobras porque a estatal apresenta performance operacional relativamente sólida e pode receber ajuda do governo. “A empresa permanece como uma das empresas mais estrategicamente importantes no Brasil”, disse.

Contudo, a Moody’s alerta que a Petrobras enfrenta pressões de liquidez no curto prazo, parte devido à investigação da Lava Jato, mas também por ter atrasado a divulgação de seus balanços auditados. “Nesse contexto, em 24 de fevereiro, a Moody’s rebaixou o rating de dívida sênior da Petrobras para ‘Ba2’, de ‘Baa3’, não apenas pelas preocupações com o risco de liquidez, mas também pela expectativa de que a empresa poderia ter dificuldade em reduzir seu elevado endividamento ao longo dos próximos anos.”

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