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Crise na Casas Bahia: juros e concorrência do e-commerce asfixiam o varejo físico

Endividamento elevado, crédito caro, consumo enfraquecido e avanço do comércio eletrônico pressionam modelos de negócios do varejo

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 ago 2026, 12h36
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O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, em um movimento para reorganizar as finanças, renegociar cerca de 17,3 bilhões de reais em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no último domingo, 16, diante da piora das condições financeiras da companhia. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados e consumo mais fraco agravou o quadro. O custo maior do crédito pressionou as despesas financeiras, enquanto a redução do consumo prejudicou a geração de caixa.

Desafio dos juros e do e-commerce

Para Alexandre Temerloglou, especialista em recuperação judicial e CEO da Siegen, o cenário enfrentado pela Casas Bahia reflete tanto as condições macroeconômicas quanto mudanças estruturais no varejo. O fechamento expressivo de lojas na semana anterior ao pedido de recuperação judicial, segundo ele, já sinalizava a gravidade do quadro. As obrigações relacionadas ao encerramento das unidades também serão incluídas na recuperação judicial.

“São empresas que, regra geral, pagam seus fornecedores em prazos mais curtos do que os que usam para financiar suas vendas, portanto, recorrem a capital financeiro para alavancar e manter suas operações que, no atual patamar, causa uma grande despesas financeira”, diz o especialista. O modelo deixa as varejistas especialmente expostas aos juros. Ao mesmo tempo, as taxas elevadas atingem o consumidor final, que também está endividado e tem dificuldades para manter o consumo. O resultado é uma pressão simultânea sobre os custos das empresas e sobre a demanda.

Outro fator apontado por Temerloglou é a mudança estrutural do mercado, com a migração das compras das lojas físicas para a internet. “Mudanças mercadológicas, como a mudança estrutural do físico para o on-line, tem muito impacto, afinal comprar um celular no físico ou no on line, é o mesmo produto, e a logo acaba virando mais uma vitrine do que um ponto real de venda, porém, muito mais caro de se manter”, diz. Essa transformação afeta empresas que mantêm uma estrutura física extensa, já que determinados produtos podem ser adquiridos tanto presencialmente quanto pela internet, enquanto a manutenção das lojas representa um custo maior.

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Apesar das dificuldades, o especialista avalia que a força da marca pode ajudar na recuperação da companhia. “São empresas de renome, o que ajuda sua reestruturação e a percepção de confiança do consumidor”. O desafio será coordenar as negociações com os credores, especialmente fornecedores, para evitar desabastecimento e problemas na entrega de produtos. Segundo Temerloglou, eventuais falhas nesse processo poderiam afetar diretamente a imagem da companhia.

A varejista já havia adotado medidas para tentar reverter as dificuldades. Em 2024, realizou uma recuperação extrajudicial que reestruturou mais de 4 bilhões de reais em dívidas, com plano posteriormente homologado e colocado em execução. Em 2025, promoveu ainda uma reestruturação de capital para buscar a equalização do endividamento. As iniciativas, porém, não foram suficientes para reverter as dificuldades, e a companhia continuou enfrentando problemas na operação e apresentando prejuízos.

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