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Crise mundial vira oportunidade às empresas dos Brics

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul passaram a comprar controle de empresas sediadas na Europa e nos EUA

Por Da Redação - 8 abr 2013, 10h59

Brics agora representam 9% do fluxo de investimentos no mundo, ante 1% nos anos 2000

A crise nos países ricos tornou-se uma grande oportunidades para as empresas dos Brics. Apenas entre 2010 e 2012, companhias do Brasil, Rússia, Índia e China investiram mais de 100 bilhões de dólares na compra de grupos da Europa, dos Estados Unidos e até do Japão, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Os números da ONU revelam que, ainda que o discurso do bloco de países emergentes seja o de investir no continente africano e promover a cooperação sul-sul, é para a Europa que vai a maior parte dos investimentos de suas empresas.

Se no ano 2000 os Brics investiam anualmente 7 bilhões de dólares, em 2012 esse volume chegou a 120 bilhões de dólares. Em dez anos, eles passaram a representar 9% do fluxo de investimentos no mundo (em 2000 era 1%). No total, os estoques de investimentos dos Brics – bloco que também inclui a África do Sul – pelo mundo atingiram em 2012 a marca recorde de 1,1 trilhão de dólares. Deste total, porém, apenas 29 bilhões de dólares foram investidos nos próprios países do bloco emergente. No geral, os Brics têm estoques de investimentos de 470 bilhões de dólares nos países ricos.

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Mas o que mais chama a atenção dos especialistas da ONU é o padrão da entrada dessas empresas nos países ricos. Entre 2010 e 2012, enquanto as economias desenvolvidas viveram estagnações e recessões, o fluxo de investimentos dos Brics a suas economias chegou a 105 bilhões de dólares em aquisições. A China liderou o movimento, com 54% do total. Especialistas apontam que Pequim considera a Europa “mais aberta” que os EUA para investir.

Segundo um informe da Câmara de Comércio da UE na China, estatais chinesas estariam até mesmo planejando ampliar essa participação nos próximos anos e aproveitar justamente as privatizações que ocorrerão no Velho Continente por conta da redução dos gastos públicos que governos terão de implementar. Em 2012, a China investiu 3,3 bilhões de euros na empresa de energia em Portugal, que estava sendo privatizada. Hoje, o país que mais atrai empresas chinesas é a Alemanha, seguida pela França, Itália e Holanda. No Reino Unido, os chineses já compraram a fábrica dos tradicionais táxis de Londres, a Manganese Bronze.

(com Estadão Conteúdo)

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