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Crise econômica já afeta o holerite de altos executivos

Estudo da empresa de recrutamento Michael Page mostra que a renda anual de um presidente de multinacional no Brasil caiu de 2014 para 2015

Por Da Redação 27 jul 2015, 12h50

Levantamento da Page Executive, divisão de altos cargos da Michael Page, mostra uma freada brusca na remuneração de altos executivos. De 2013 para 2014, a renda anual total de um presidente de multinacional que fatura de 100 milhões a 500 milhões de reais no Brasil havia subido 8,5%, para 1,045 milhão de reais. Em 2015, no entanto, a renda anual caiu 11,2%, para 928.000 reais. A retração real (descontada a inflação), no entanto, é maior, pois os números da consultoria não levam em consideração a inflação de doze meses – que supera a marca de 9%.

Especialistas em captação de talentos afirmam que o humor do mercado mudou totalmente. Segundo Fernando Andraus, diretor executivo da Page Executive, a queda na remuneração total pode ser explicada por dois fatores. Em primeiro lugar, os salários mensais dos executivos, que ainda respondem pela maior parte da renda total mesmo no alto escalão, pararam de subir; em segundo, com a piora sensível dos resultados das empresas, os bônus pagos ao fim de cada ano foram reduzidos.

“Hoje, quando um executivo precisa se recolocar, ele provavelmente terá um pequeno decréscimo no rendimento”, diz Andraus. “A empresa, quando decide substituir alguém no alto escalão, vai provavelmente pagar um pouco menos para o novo contratado.

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Descompasso – As oportunidades, no entanto, só não secaram de vez porque, em muitas companhias, existe um “descompasso” entre o talento do executivo contratado há alguns anos e a necessidade dos negócios hoje. Até 2013, o mercado buscava gente capaz de levar o negócio ao crescimento, mesmo que isso significasse investir e contratar mais. Hoje, a demanda é por um executivo bom de corte de custos, que possa “segurar as pontas” até que um novo ciclo de expansão se inicie.

Outra tendência de mercado, segundo Fabrizio Forti, consultor da Hay Group, é a migração para uma forma de remuneração que priorize o variável, como já ocorre nos Estados Unidos. Ou seja: o executivo recebe conforme o lucro que traz para o negócio. Entre 2012 e 2014, segundo a consultoria, a participação do salário-base na remuneração do executivo caiu de 51% para 44%. Dados preliminares da Hay Group para este ano mostram uma nova redução, por volta de 33%.

(Com Estadão Conteúdo)

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