ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Criadores da IA e vencedores do Nobel fazem alerta: ‘o mundo não está preparado’

Carta assinada por quase 200 economistas, pesquisadores e líderes pede ação urgente para preparar governos e trabalhadores

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 15h47 | Atualizado em 15 jul 2026, 14h49
Criadores da IA e vencedores do Nobel fazem alerta: ‘o mundo não está preparado’ Priorizar nos meus resultados Google
Continua após a publicidade

A inteligência artificial pode provocar uma transformação econômica mais profunda e em uma velocidade sem precedentes na história moderna. Esse é o alerta de quase 200 economistas, pesquisadores e líderes da indústria de tecnologia, que pediram a governos e empresas uma resposta mais rápida aos impactos da nova tecnologia.

Em uma carta publicada nesta segunda-feira (13), intitulada “We Must Act Now” (“Precisamos agir agora”), os signatários afirmam que a IA poderá se tornar “radicalmente mais poderosa” na próxima década e gerar, ao mesmo tempo, ganhos de produtividade e riscos de grande escala, incluindo a substituição de trabalhadores por sistemas automatizados.

O documento foi assinado por 15 vencedores do Prêmio Nobel, além de nomes importantes do setor de tecnologia, como Jack Clark, cofundador da Anthropic; Eric Schmidt, ex-presidente-executivo do Google; e Vinod Khosla, investidor de capital de risco.

Continua após a publicidade

Entre os signatários também estão economistas que historicamente adotaram uma visão mais cautelosa sobre previsões de ruptura tecnológica, como Daron Acemoglu e Simon Johnson, professores do MIT vencedores do Nobel de Economia de 2024.

Do otimismo tecnológico ao alerta econômico

Durante anos, muitos economistas minimizaram previsões de que a inteligência artificial poderia provocar uma onda imediata de desemprego.

Continua após a publicidade

O argumento era que revoluções tecnológicas anteriores, como a máquina a vapor e o computador pessoal, eliminaram algumas funções, mas também criaram novas profissões e elevaram a produtividade.

Agora, porém, parte da comunidade econômica passou a considerar que a velocidade de adoção da IA pode ser diferente das transformações anteriores.

A carta afirma que os efeitos da tecnologia podem ser “maiores que os da Revolução Industrial, mas em um período de tempo muito mais curto”.

Continua após a publicidade

“Há uma diferença crescente entre a velocidade com que a IA está avançando e a capacidade das instituições de entender e responder aos seus efeitos”, afirmou Erik Brynjolfsson, economista da Universidade Stanford e um dos organizadores do documento.

Segundo ele, governos e pesquisadores precisam se preparar antes que os impactos se tornem difíceis de administrar.

Empregos de escritório entram no centro do debate

Um dos principais pontos de preocupação é o impacto da IA sobre trabalhadores qualificados, especialmente em funções administrativas, financeiras, jurídicas, de programação, comunicação e análise de dados.

Continua após a publicidade

Ao contrário de ondas anteriores de automação, concentradas principalmente em atividades industriais, ferramentas de IA generativa conseguem executar tarefas associadas ao trabalho intelectual.

O economista Daron Acemoglu, do MIT, afirmou que, embora ainda duvide que a IA terá exatamente a dimensão prevista por parte do Vale do Silício, os avanços recentes aumentaram sua preocupação com uma possível perda significativa de empregos.

Para ele, o desenvolvimento da tecnologia deveria priorizar ferramentas que aumentem a capacidade dos trabalhadores, em vez de simplesmente substituí-los.

“Se a inteligência artificial fizer com empregos de escritório algo parecido com o que os robôs fizeram na indústria, mas em um período muito mais curto, o impacto será extremamente disruptivo”, disse Acemoglu.

O desafio para governos: medir antes de reagir

A carta não apresenta medidas específicas de política pública, mas pede que governos, economistas e empresas desenvolvam estudos mais detalhados sobre os efeitos econômicos da IA.

Um dos principais obstáculos hoje é a falta de dados confiáveis sobre como a tecnologia está alterando empregos, salários e produtividade.

Pesquisadores ainda divergem sobre o tamanho do impacto atual. Alguns estudos apontam aumento de eficiência para trabalhadores que utilizam ferramentas de IA; outros indicam riscos maiores para funções repetitivas e altamente digitalizadas.

Instituições como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) também têm alertado que a IA poderá afetar uma parcela significativa dos empregos globais, embora defendam que o resultado dependerá das políticas de adaptação, educação e qualificação profissional.

A corrida pela IA entra em nova fase

O alerta ocorre em um momento de investimentos bilionários no setor. Empresas como OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft e Meta disputam a liderança no desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

A expectativa é que sistemas de IA capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma — chamados de agentes de inteligência artificial — ampliem ainda mais a pressão sobre empresas e trabalhadores.

Para os autores da carta, o desafio não é interromper o avanço tecnológico, mas garantir que a inteligência artificial seja direcionada para complementar o trabalho humano e distribuir seus benefícios.

A disputa agora, segundo os signatários, não é apenas tecnológica: é sobre como sociedades inteiras vão se adaptar a uma das maiores mudanças econômicas desde a industrialização.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).