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Crescimento da classe média é sustentável

Em Fórum realizado em São Paulo, economistas afirmam que processo de redução da desigualdade social prosseguirá

Por Derick Almeida 30 ago 2010, 19h59

A redução da desigualdade social e o crescimento da classe média são movimentos sustentáveis e que devem contribuir ainda mais para o desenvolvimento econômico do país nos próximos anos. Esta foi a conclusão de um painel de discussão com especialistas neste tema, reunidos no 7º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em São Paulo.

O chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV, Marcelo Neri, afirma que há grande margem para que a classe C continue sua expansão. Dentro de seu já notório crescimento – 23,5 milhões de brasileiros ascenderam das classes D/E para a classe média entre 2003 e 2008 -, ele chama atenção para o fato de que este movimento foi propiciado principalmente pela elevação da renda. Entre 2003 e 2008, o rendimento do trabalho registrou acréscimo de 5,3%. Tal fator mostrou-se ainda mais preponderante que a mobilidade trazida pelos programas sociais. “O grande símbolo da classe C é a carteira de trabalho”, enfatizou.

Na hipótese de a tendência de crescimento econômico e redução das desigualdades prosseguir nos próximos anos, Neri estima que mais 14,5 milhões de brasileiros sairão da pobreza entre 2010 e 2014. Outros 36 milhões serão adicionados às classes A, B e C.

De acordo com os especialistas reunidos no Fórum, o mercado interno será a força motriz do desenvolvimento no médio prazo. “Não podemos depender do mercado externo para crescer, pois ele está muito fraco. Felizmente, temos a pujança das classes C e D a garantir a saúde econômica do país”, declarou Paulo Gala, professor da FGV.

Para que esse movimento não perca força nas próximas décadas, Neri alerta para grandes desafios a serem tocados pelo próximo governo, entre os quais a realização de forte investimento em educação e a criação de condições propícias à expansão do microcrédito.

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