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Cresce renda produzida por empregos ligados ao turismo

Estudo do IBGE analisa o setor que representa 3,7% do PIB do Brasil. Eventos internacionais dos próximos quatro anos cria cenário promissor para o mercado

Por Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro 10 out 2012, 10h21

Com uma série de grandes eventos internacionais na agenda a partir do próximo ano – Jornada Mundial da Juventude e Copa das Confederações, em 2013; Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016 -, o Brasil tem pela frente um cenário promissor no que diz respeito ao turismo. O setor responde atualmente por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados de 2009 divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa Economia do Turismo. O índice vem se mantendo estável desde o primeiro levantamento, em 2003, quando representava 3,6%.

“É uma importância muito pequena. O Brasil recebe apenas 5 milhões de turistas internacionais por ano e esse índice segue estagnado desde o início do governo Lula (2003). Se compararmos, os brasileiros gastam muito mais no exterior do que os estrangeiros aqui. Isso cria uma balança turística negativa”, avalia o consultor em turismo Bayard Boiteux. “Além disso, o brasileiro que viaja ao exterior vai disposto a gastar bastante, mas os turistas que vêm para cá não têm esse perfil qualitativo, de poder aquisitivo mais alto”, completa.

A contribuição de negócios como hospedagem, transporte, alimentação e todos os serviços ligados ao segmento vem mantendo o mesmo peso para o Brasil pelo menos nos últimos seis anos. Mas a pesquisa detalha ainda outros aspectos. O que se destaca na série histórica é o crescimento da renda produzida pelas atividades relacionadas ao turismo, que atingiu 103,7 bilhões de reais em 2009. O valor representa aumento real (descontando as variações de preço) de 4,6% em relação ao ano anterior, e de 32,4% ante 2003 – uma variação maior do que a renda média do país no período, que teve um acréscimo de 24,6%. Os serviços de alimentação são os que apresentam maior participação no setor, de 37,4%, ou 38,8 bilhões de reais, seguidos pelas atividades recreativas, culturais ou desportivas (17,9%) e pelo transporte rodoviário (17,4%).

Em discurso recente em um fórum em São Paulo, o ministro do Turismo, Gastão Vieira, disse que um dos maiores desafios para o turismo brasileiro é a busca de novos fluxos de visitantes ao país. Mas, para isso, é preciso se preparar para atender essa demanda, principalmente em relação a aeroportos – que clamam por uma reforma profunda para não entrar em colapso – e hotelaria – carente de vagas de luxo e com capacidade limitada em algumas cidades-chave, como o Rio de Janeiro. Vieira garante que o país está investindo para receber bem o fluxo de turistas que chegarão nos próximos anos.

Sinalização – Bayard Boiteux atenta para outro ponto em que o turismo do Brasil deixa a desejar: a sinalização turística dos locais que recebem maior movimento de visitantes. “Pecamos mais nessa área da informação. O turista de hoje quer explorar o país por conta própria e, para isso, precisa encontrar uma cidade extremamente bem sinalizada.” Ele cita o exemplo do Rio de Janeiro, que tem boas indicações – mas somente em português. “Precisamos nos preocupar em oferecer uma sinalização bilíngue, como podemos encontrar, por exemplo, em Petrópolis (região serrana do Rio)”, indica.

Atualmente, o Brasil é o 13º do mundo em economia do turismo, aponta estudo de 2010 da World Travel & Tourism Council (WTTC), entidade que reúne os maiores empresários do setor no mundo. O levantamento comparou dados coletados em 181 países, levando em consideração indicadores como importância do turismo para o PIB, geração de empregos e investimentos públicos e privados. O país aparece ainda em 10º lugar no ranking de países que devem produzir o maior volume em termos absolutos de PIB do turismo, e no que diz respeito à rapidez do crescimento dos investimentos no setor, sobe para a 5ª posição.

Ainda conforme a WTTC, o Brasil está na 7ª colocação no quesito geração de empregos diretos e indiretos. A pesquisa atual do IBGE também destaca as ocupações promovidas pelas atividades relacionadas ao setor, que em 2009 eram 5,9 milhões, o equivalente a 6,1% do total da economia. Esse contingente foi 1,3% maior do que em 2008 e 10,5% maior em relação a 2003. Os rendimentos (salários e outras remunerações) pagos por esse trabalho também cresceram: 117,7% de 2003 a 2009, quando foram pagos 48,8 bilhões de reais, valor que corresponde a 3,5% das remunerações gerais da economia do país (confira detalhes no infográfico abaixo).

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