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Credores tentam ligar os Kirchners a atos de corrupção

Os fundos abutres conseguiram bloquear dinheiro de empresário argentino, amigo e ex-sócio do casal Kirchner em negócios na Patagônia

Por Da Redação 14 ago 2014, 11h17

Em mais um capítulo da briga entre os fundos abutres e o governo argentino, o empresário Lázaro Báez, amigo e ex-sócio do casal Kirchner em negócios imobiliários na Patagônia, teve os bens bloqueados. Os credores que não aceitaram renegociar a dívida com a Argentina montaram uma estratégia judicial que usa denúncias de corrupção envolvendo a presidente do país latino com o objetivo de pressioná-la a pagar integralmente os débitos.

Nos últimos anos, a imprensa portenha fez reportagens indicando que Báez foi beneficado pelo superfaturamento de obras públicas feitas por suas empreiteiras. Para autorizar o bloqueio do dinheiro do empresário argentino, o juiz do Estado de Nevada, Cam Ferenbach, considerou que Baéz desfalcou o Estado argentino em 65 milhões de dólares por meio de negociatas feitas por 150 empresas registradas no Estado americano e no Panamá. A suspeita é que, por trás dessas contas, estariam, além de Báez, o filho do empresário e Néstor e Cristina Kirchner.

O que são fundos abutres?

Fundo abutre é um jargão do mercado financeiro usado para classificar fundos de hedge que investem em papéis de países que deram calote – atuam, em especial, na América Latina e na África. Sua atuação é perfeitamente legítima. O termo abutre foi criado para diferenciá-los dos fundos convencionais, justamente por trabalharem como ‘agiotas’ de países caloteiros, emprestando dinheiro em troca de ‘títulos podres’. São considerados pelo mercado uma espécie de ‘investidor de segunda linha’. Sua atuação consiste em comprar títulos da dívida de nações em default por valor irrisório para depois acionar o país na justiça e tentar receber ganhos integrais. Os ‘abutres’ compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares. A Argentina, por sua vez, tenta escapar do pagamento. O país teme que, caso aceite pagar os ‘abutres’ integralmente, os 92% de credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 possam buscar na Justiça o direito de receber ganhos integrais. Neste caso, o pagamento poderia reduzir as reservas internacionais do país a praticamente zero. Outro agravante é que, devido ao histórico de calotes e decisões econômicas escandalosas do país, sua credibilidade para negociar com credores está fortemente abalada.

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“Não existem dúvidas de que Baéz desfalcou fundos da Argentina. E uma pessoa que desvia dinheiro, ou um ladrão, não adquire propriedade sobre aquilo que rouba”, argumentou o juiz. O pedido de bloqueio de dinheiro partiu do fundo NML, do economista Paulo Singer, um dos principais credores que não aceitaram reestruturar a dívida com a Argentina em 2005 e 2010 e ganhou na Justiça americana o direito de receber integralmente o montante. Contudo, o governo de Cristina se recusa a pagá-lo porque teme a abertura de um precedente para que os demais 93% dos credores que renegociaram as dívidas reivindiquem valores superiores.

O juiz ordenou que a empresa contábil Mossack Fonseca revele até 12 de setembro os bens e contas bancárias de 123 empresas administradas por ela em Nevada, supostamente de Báez. Caso o empresário tenha obtido dinheiro por fraudes ao Estado argentino, o fundo NML pode pedir o embargo desses ativos. Assim, por via indireta, o fundo abutre conseguiria o dinheiro que exige da Argentina, 1,33 bilhão de dólares. De quebra, essa estratégia de pressão poderia revelar mais dados sobre os casos de corrupção entre a presidente argentina e empresários kirchneristas.

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(Com Estadão Conteúdo)

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