ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Crédito na América Latina fica mais escasso diante de riscos políticos, climáticos e financeiros

Relatório da Moody’s aponta custos de financiamento ainda elevados, incertezas regulatórias e eventos climáticos como fatores de pressão

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2026, 10h36 | Atualizado em 19 ago 2026, 15h45
Crédito na América Latina fica mais escasso diante de riscos políticos, climáticos e financeiros Priorizar nos meus resultados Google

O ambiente de crédito na América Latina deve continuar seletivo em 2026, apesar da queda da inflação em várias das principais economias e do início de ciclos de redução de juros por parte de bancos centrais.

Segundo análise da Moody’s, os custos de financiamento e o peso do serviço da dívida permanecem elevados, enquanto o crescimento econômico segue moderado.

A agência de classificação de risco afirma que empresas e setores mais dependentes de políticas públicas, concessões e regulação estão particularmente expostos às incertezas.

Ciclos eleitorais, mudanças regulatórias, polarização política e oscilações nos preços de commodities devem continuar influenciando as condições de crédito na região.

O risco é maior para companhias cujos investimentos, receitas ou acesso a financiamento dependem de decisões do governo.

Continua após a publicidade

Nesse cenário, a estabilidade dos marcos regulatórios e jurídicos ganha importância para reduzir a possibilidade de intervenções que afetem os negócios.

A volatilidade dos preços de energia é apontada pela Moody’s como um dos principais canais de transmissão dos riscos geopolíticos para a economia latino-americana.

Mudanças nos preços de petróleo, gás e eletricidade podem afetar custos, margens e capacidade de pagamento de empresas de diferentes setores.

Continua após a publicidade

Eventos climáticos aumentam pressão sobre empresas

Os riscos climáticos também devem ganhar peso na avaliação de crédito. A Moody’s destaca que eventos extremos podem provocar interrupções na produção, no transporte e no fornecimento de energia, além de aumentar os investimentos necessários para adaptação da infraestrutura.

O fenômeno El Niño deve continuar contribuindo para condições climáticas adversas pelo menos até o início de 2027, segundo a análise.

Secas, enchentes e chuvas intensas podem afetar especialmente agricultura, mineração, logística e transporte.

Continua após a publicidade

A escassez de água é outro fator de preocupação. Além de interromper operações, pode elevar custos e exigir novos investimentos em infraestrutura, principalmente em setores que dependem de grandes volumes de recursos hídricos.

Data centers abrem espaço para investimentos

Apesar do cenário mais restritivo, a expansão da inteligência artificial cria oportunidades em alguns mercados. A Moody’s considera os data centers, infraestrutura necessária para o processamento e armazenamento de dados, um segmento com potencial de crescimento na América Latina.

O interesse dos investidores permanece elevado, e projetos do setor vêm atraindo financiamento bancário, capital privado e estruturas específicas de financiamento de projetos.

Continua após a publicidade

A expansão, porém, enfrenta obstáculos. A disponibilidade de energia, o licenciamento ambiental e regulatório e o cumprimento dos prazos de construção serão determinantes para a viabilidade dos empreendimentos.

Brasil, México e Chile aparecem entre os mercados com potencial para receber investimentos em data centers, embora cada um apresente condições próprias de infraestrutura, energia e regulação.

Governança também afeta o risco de crédito

A Moody’s destaca ainda o papel da gestão financeira e da governança na capacidade das empresas de enfrentar períodos de maior restrição de crédito.

Continua após a publicidade

Decisões sobre liquidez, endividamento e alocação de capital podem alterar o perfil de risco das companhias. Problemas de transparência, concentração acionária ou interferência governamental na estratégia e na administração também podem aumentar a volatilidade da qualidade de crédito.

Para a agência, a combinação entre financiamento mais caro, crescimento moderado, incertezas políticas e regulatórias e eventos climáticos exige maior capacidade de gestão de caixa e de adaptação por parte das empresas latino-americanas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).