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Credenciadoras retêm milhões da Casas Bahia e Justiça cobra explicações

Cielo, Getnet e Rede seguraram mais de 18 milhões de reais em recebíveis após o pedido de recuperação judicial; magistrada questionou reservas criadas pelo temor de futuros cancelamentos de compras

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 11h20
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O consumidor passou o cartão, a compra foi aprovada e o dinheiro deveria seguir o caminho habitual até a Casas Bahia. Depois que a varejista pediu recuperação judicial, porém, parte desses recursos parou no meio do caminho. Cielo, Getnet e Rede retiveram mais de 18 milhões de reais em recebíveis da companhia, abrindo mais uma frente na batalha pelo caixa de uma das maiores redes varejistas do país.

O movimento chamou a atenção da Justiça porque as reservas não teriam sido criadas para cobrir uma avalanche já comprovada de cancelamentos. Na decisão que antecipou a proteção da Casas Bahia contra credores, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira afirmou que as retenções se basearam na expectativa de aumento futuro dos chamados chargebacks — cancelamentos de compras feitos por consumidores junto às instituições financeiras. Para a magistrada, a prática pode ser incompatível com as regras dos arranjos de pagamento.

Agora, as credenciadoras terão de abrir suas contas. A Justiça determinou que Cielo, Getnet e Rede apresentem demonstrativos detalhados das retenções e ordenou que deixem de criar reservas extraordinárias motivadas apenas pelo ajuizamento da recuperação judicial. Os fluxos ordinários deveriam ser liberados em até 48 horas, sob pena de multa diária de 100 mil reais.

A maior fatia conhecida das retenções ficou concentrada na Getnet. Dos mais de 18 milhões de reais apontados pela Casas Bahia, ao menos 14 milhões de reais teriam sido separados pela companhia. Procurada anteriormente pela imprensa, a Getnet afirmou que não comenta operações de clientes nem processos judiciais em andamento. A Rede também não comentou o caso, e a Cielo não respondeu naquela ocasião.

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O valor é pequeno perto dos 17,3 bilhões de reais em dívidas que levaram a Casas Bahia a pedir recuperação judicial em 16 de agosto. O problema está no que ele representa. Recebíveis de cartão são uma das engrenagens mais importantes do capital de giro de uma varejista. No pedido de recuperação, o grupo alertou que uma retenção ampla das garantias vinculadas a cartões e Pix poderia drenar até 60% de suas entradas mensais de caixa.

É justamente por isso que os demonstrativos exigidos pela Justiça ganharam importância. Eles poderão revelar quanto das reservas correspondia a cancelamentos efetivamente ocorridos e quanto foi simplesmente uma proteção adicional criada depois que a Casas Bahia entrou em recuperação judicial. Em uma companhia lutando para impedir que a crise financeira contamine a operação, a diferença entre as duas coisas não é apenas contábil: é a diferença entre administrar um risco existente e fechar preventivamente mais uma torneira de dinheiro.

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