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Covid-19 faz comércio varejista perder 75 mil lojas em 2020

Apesar de leve crescimento em vendas, setor amarga a perda de milhares de estabelecimentos e postos de trabalho em 2020

Por Felipe Mendes Atualizado em 1 mar 2021, 19h36 - Publicado em 1 mar 2021, 17h25

A despeito de um crescimento modesto nas vendas, de 1,2%, em um ano de tantas perdas para a economia, o comércio varejista não tem muito o que comemorar. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, o Brasil registrou um saldo negativo de 75,2 mil estabelecimentos entre aberturas e fechamentos de lojas em 2020. É a maior retração para o setor desde 2016, quando o país amargava os efeitos da maior recessão de sua história recente em decorrência de uma crise de política interna — à época, o déficit foi de 105,3 mil unidades. O nível de ocupação no setor também sofreu com isso. O encerramento das atividades do varejo pelo país causou uma inflexão no mercado de trabalho, com 25,7 mil vagas formais perdidas no decorrer do ano passado.

Embora os números sejam desoladores, é possível olhar pelo lado positivo. Explica-se: como o governo anunciou medidas de proteção aos empregos, auxílio emergencial para desempregados e trabalhadores informais e programa de financiamento para capital de giro com taxas de juros baixas, o setor viu suas perdas serem amenizadas no segundo semestre. Se, nos seis primeiros meses do ano, quando ocorreram as medidas de circulação mais drásticas, o comércio varejista perdeu 62,1 mil estabelecimentos, esse número diluiu-se para “apenas” 13,1 mil lojas fechadas, na segunda metade do ano.

“O processo de recuperação da economia no segundo semestre viabilizou que o saldo não fosse tão negativo quanto em 2016”, diz Fabio Bentes, economista-sênior da CNC. “No caso do emprego, o varejo fechou no vermelho, com 25 mil postos de trabalho a menos. Sem as medidas do governo, a gente estaria falando de, ao menos, uma centena de milhares de empregos perdidos no ano.”

  • Dentre as atividades, algumas se adaptaram melhor que outras em relação aos novos hábitos de consumo, em que há maior predileção a compras no comércio eletrônico. Exemplo malsucedido dessa troca, o varejo de vestuário, calçados e acessórios foi o que mais sofreu em 2020, sofrendo um saldo negativo de 22,29 mil estabelecimentos entre aberturas e encerramento das atividades. O segmento lidera com folga a lista, seguido por hiper, super e minimercados, que perderam 14,38 mil unidades, e pelas lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (-13,31 mil). “O volume de lojas de vestuário está mais concentrado nos shopping centers. Por mais que tenha ocorrido um processo de reabertura da economia, o consumidor ficou mais receoso de circular em ambientes fechados, o que prejudicou esse mercado”, diz Bentes. “Outro fator negativo é que o consumo de roupas e calçados não é essencial como medicamentos, alimentos ou combustíveis.”

    Para 2021, a entidade traçou três cenários possíveis para a recuperação do varejo. Os quadros levam em consideração o grau de isolamento da população, que pode variar para cima ou para baixo dependendo da velocidade da taxa de imunização do brasileiro ao longo do ano. No cenário básico, levando-se em conta a defasagem existente entre o crescimento das vendas e a natural contrapartida na abertura de novos pontos de venda pelo país, a CNC estima que as vendas avancem 5,9% em relação a 2020, e o setor seja capaz de reabrir 16,7 mil pontos de venda este ano.

    Em um cenário alternativo mais otimista, no qual o isolamento social retornaria aos níveis pré-pandêmicos (30% da população), o volume de vendas cresceria 8,7% ante 2020 e 29,8 mil lojas seriam abertas ao longo do ano. Por fim, em um quadro mais pessimista, no qual o confinamento da população se mantenha ligeiramente abaixo do patamar observado em dezembro do ano passado, o saldo entre abertura e fechamento de lojas neste ano seria ligeiramente positivo: 9,1 mil unidades.

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