Coronavírus: Coronavírus: desemprego acelera e atinge 12,8 milhões de pessoas em abril | VEJA
Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Coronavírus: desemprego acelera e atinge 12,8 milhões de pessoas em abril

Segundo o IBGE, queda da atividade econômica fechou 4,9 milhões de postos de trabalho no país, tanto formais quanto informais

Por Larissa Quintino Atualizado em 28 Maio 2020, 11h05 - Publicado em 28 Maio 2020, 09h23

A taxa de desocupação chegou a 12,6% no trimestre encerrado em abril, 12,8 milhões de brasileiros desempregados. Segundo dados do IBGE, divulgados nesta quinta-feira, 28, o dado reflete os efeitos da pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) no mercado de trabalho. A população ocupada teve queda recorde de 5,2%, em relação ao trimestre encerrado em janeiro, representando uma perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, que foram reduzidos a 89,2 milhões. O recuo é o maior desde 2012, quando a Pnad Contínua passou a ser divulgada pelo IBGE.

A analista da Pnad Contínua, Adriana Beringuy explica que os efeitos foram sentidos tanto entre os informais quanto entre trabalhadores com carteira assinada. “Dos 4,9 milhões de pessoas a menos na ocupação, 3,7 milhões foram de trabalhadores informais. O emprego com carteira assinada no setor privado teve uma queda recorde também. A gente chega em abril com o menor contingente de pessoas com carteira assinada, que é de 32,2 milhões”, explica.

Entre os informais, estão os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) ou sem remuneração (auxiliam em trabalhos para a família). No caso destes trabalhadores, a perda de postos de trabalho é sentida de forma mais rápida. Com as restrições devido a medidas de distanciamento social impostas por estados e municípios, muitas pessoas deixaram de trabalhar. O movimento para os informais é sentido de forma mais rápida, porque a interrupção da atividade é feita de forma mais fácil. Já o setor formal leva mais tempo para o fechamento de vagas devido os encargos trabalhistas das demissões. Em uma retomada, no entanto, a informalidade reage mais rápido e cresce, já o setor formal demora mais para reaquecer.

Na véspera, o governo federal divulgou os dados do Caged, que compila apenas indicadores do mercado formal. Em abril, houve fechamento de 860 mil postos de trabalho. O saldo negativo para o mês se refere a uma aceleração nas demissões, de 17,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, mas, principalmente pela queda brusca nas contratações, que despencaram 56%. Durante todo o ano de 2020, o número de postos com carteira assinada fechados chega a 1,1 milhão de pessoas.

  • Segundo a Pnad, a queda na população ocupada foi generalizada, atingindo sete dos dez grupos de atividades observados na pesquisa. Dos 4,9 milhões de pessoas que saíram da população ocupada, 1,2 milhão veio do comércio, 885 mil saíram da construção e 727 mil, dos serviços domésticos. Foi a maior queda nos serviços domésticos desde o início da série, em 2012. De acordo com Adriana Beringuy, a queda pode estar associada às medidas de isolamento social. “Várias famílias podem ter dispensados os seus trabalhadores domésticos em função dessa questão do isolamento. É uma queda bastante acentuada”, analisa.

    Continua após a publicidade

    Com a queda recorde da população ocupada, a massa de rendimento real também teve a maior retração da série histórica. “É uma queda de 3,3%, o que significa que em um trimestre a massa de rendimento teve uma retração de R$ 7,3 bilhões”, comenta Adriana.

    Por outro lado, o rendimento médio real recebido pelas pessoas ocupadas foi estimado em 2.425 reais no trimestre encerrado em abril, sendo o maior da série histórica. “Esse aumento pode estar associado ao fato de que os trabalhadores informais, que ganham menos, foram o grupo que mais saiu da ocupação. Os que ficaram foram trabalhadores que relativamente têm salários maiores. Agora temos uma situação de menos trabalhadores informais e o rendimento médio acaba sendo calculado em cima de quem permaneceu no mercado de trabalho”, conclui.

    Força de trabalho e desalento

    A força de trabalho potencial, que inclui pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que possuíam potencial para se transformarem em força de trabalho, aumentou 24%. São 1,9 milhão de pessoas a mais nessa situação.

    “Se por um lado, a gente teve uma queda bastante acentuada na ocupação, também teve um aumento recorde da população fora da força de trabalho, que foi de 7,9%. O que provocou um aumento da chamada força de trabalho potencial, muitas pessoas nem estão ocupadas, pararam de procurar trabalho, mas estão ali na força potencial, o que contribuiu para a gente ter um aumento muito importante da taxa de desalento, que volta a crescer depois de um bom tempo em estabilidade”, complementa a analista.

    Os desalentados, subgrupo de pessoas da força de trabalho potencial, foram estimados em 5 milhões, um acréscimo de 7% em relação ao último trimestre. São 328 mil pessoas a mais que não estão ocupadas mas que, por alguma razão, também não estão procurando emprego. É o maior número de desalentados desde o início da série histórica. “São as pessoas que, por exemplo, não procuram mais emprego ou porque não tem qualificação suficiente ou porque é considerada jovem demais ou velha demais ou não tinha trabalho ali na localidade na região em que ela vive. Então esse desalento aumentou bastante”, explica Adriana Beringuy.

    Continua após a publicidade
    Publicidade