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Corona atrai interesse da AB InBev para acordo com Modelo

BRUXELAS/LONDRES, 25 Jun (Reuters) – O crescente mercado de cerveja mexicano, maiores economias de custos e controle das exportações da cerveja Corona atraíram a Anheuser-Busch InBev para a compra do restante do Grupo Modelo por 15 bilhões de dólares, disseram fontes nesta segunda-feira.

Um possível acordo dará à AB InBev, maior cervejaria do mundo, acesso ao crescimento de 2 a 3 por cento por ano do mercado mexicano, deve gerar pelo menos 250 milhões de dólares em sinergias e trazer direitos de distribuição para a Corona, maior marca de cerveja importada nos EUA.

A InBev já detém 50,4 por cento da Modelo e está negociando adquirir o restante da companhia das famílias controladoras, que têm 56 por cento de poder votante, acrescentaram fontes. No Brasil a companhia opera por meio da Ambev.

O México é o sexto maior mercado de cerveja do mundo e o quarto mais lucrativo e é marcado por praticamente um duopólio entre Modelo e Heineken.

“Acreditamos em um preço de aquisição que seria perto de 15 bilhões de dólares, implicando em um prêmio de 30 por cento pelo controle em linha com a média histórica”, disseram analistas do Citi.

A Modelo tem uma participação de mais de 50 por cento no mercado mexicano de cerveja, mas uma margem de lucro relativamente baixa, de cerca de 26 por cento, que a AB InBev quer levar para perto da margem de 60 a 65 por cento que obtém no Brasil.

A AB InBev não comentou um possível acordo, enquanto a porta-voz da Modelo, Jennifer Shelley, disse que a companhia não comenta rumores.

Fontes no setor bancário afirmaram que os dois lados travaram negociações, mas o ponto de dificuldade foi o tamanho do prêmio que as famílias da Modelo podem extrair da AB InBev.

“As famílias querem vender, mas elas querem um preço maior, já que consideram que a AB InBev terá um grande impulso ao controlar 100 por cento da Modelo”, disse uma fonte do setor bancário próxima das negociações.

Um acordo poderá ampliar o foco da AB InBev nas Américas do Norte e Latina, que já são responsáveis por 90 por cento dos lucros do grupo.

A AB InBev herdou a participação na Modelo quando comprou a Anheuser-Busch em 2008 por 52 bilhões de dólares. Depois de reduzir a dívida drasticamente e ter fluxo de caixa livre de 9,1 bilhões de dólares em 2011, o grupo tem oportunidade de financiar um possível acordo em dinheiro.

“A lógica é assumir o controle. Então, eles vão realizar os planos de reduções de custos que promoveram no restante do mundo”, disse o analista Gerard Rijk, do ING.

(Por Philip Blenkinsop e David Jones)