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Os sinais do Copom sobre próximos passos da Selic e o recado ao governo sobre risco fiscal

Em ata, BC alerta que enfraquecimento da disciplina fiscal e dúvidas sobre a estabilização da dívida podem elevar a taxa de juros neutra da economia

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 set 2026, 08h34 | Atualizado em 22 set 2026, 08h43
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou a necessidade de cautela na condução dos juros diante do aumento da incerteza, da desancoragem das expectativas de inflação e dos riscos elevados em torno do cenário econômico. A avaliação consta na ata da reunião divulgada nesta terça-feira, 22, após o Comitê reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.

“O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma a ata.

O Copom avalia que os efeitos da política monetária contracionista sobre a atividade econômica vêm se acumulando gradualmente. Embora os juros estejam contribuindo para o processo de desinflação, a inflação ainda permanece pressionada pela demanda, o que exige a manutenção de uma política monetária restritiva.

O Comitê também destacou a influência dos choques de oferta sobre a inflação atual e futura. Segundo a ata, o Copom não deve reagir aos efeitos primários desses choques, mas precisa monitorar possíveis efeitos de segunda ordem e agir caso eles se materializem.

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Entre os fatores de incerteza estão as tensões geopolíticas e seus efeitos sobre os preços de commodities e insumos. A elevação do petróleo é um exemplo desse tipo de choque e pode alterar as perspectivas para a condução da política monetária nas principais economias avançadas, com impactos também sobre países emergentes.

Fiscal também preocupa

A política fiscal continua entre os fatores acompanhados pelo Banco Central. Segundo o Copom, seus efeitos ocorrem tanto no curto prazo, por meio do estímulo à demanda, quanto no longo prazo, pela influência sobre a percepção de sustentabilidade da dívida pública e sobre o prêmio a termo da curva de juros.

Para o Comitê, uma política fiscal contracíclica e que contribua para reduzir o prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.

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“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”, afirma a ata.

Mercado de trabalho e expectativas

O Copom também destacou o mercado de trabalho. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto o ritmo de crescimento da ocupação vem desacelerando. Os rendimentos médios também perderam força na margem, mas continuam crescendo em termos reais acima da produtividade do trabalho.

As expectativas de inflação, por sua vez, permanecem acima da meta em todos os horizontes analisados pelo Comitê.

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“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes”, diz a ata.

Diante desse cenário, o Banco Central sinalizou que continuará acompanhando os dados econômicos antes de definir os próximos passos da política monetária. A ata, portanto, mantém em aberto a decisão sobre um eventual novo corte da Selic nas próximas reuniões.

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