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Copom não surpreende e reduz Selic para 11% ao ano

Autoridade monetária reafirma trajetória de longo prazo no corte de juros

Por Da Redação 30 nov 2011, 18h48

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 11% ao ano. A queda não surpreende o mercado, que já previa novos cortes após o BC sinalizar, em várias ocasiões, que iria manter uma trajetória de longo prazo de redução dos juros. “O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012”, informa o anúncio divulgado pelo BC.

Previsão acertada – Quando se analisa apenas o compromisso do governo com o crescimento econômico, a redução dos juros mostra que o Banco Central não havia enloquecido ao cortar a Selic sem aviso prévio na reunião de agosto deste ano, surpreendendo e angariando críticas do mercado. Agora, alguns analistas fazem mea culpa e reconhecem que as previsões do BC na época, de fato, não estavam erradas. A crise se deteriorou de maneira rápida desde a última reunião, em outubro, e os efeitos das medidas macroprudenciais começaram a ser sentidos por diversos setores da atividade no Brasil neste final de ano.

Com isso, o próprio BC reduziu de maneira significativa a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2011 – que antes estava acima de 4%, mas foi revisada para 3,5% pela autoridade monetária. O mercado tampouco está otimista e espera um avanço de apenas 3,26%, enquanto o governo, que bradou durante todo o primeiro semestre um crescimento de 5%, atualmente aguarda um avanço de 3,8%. Soma-se a esse cenário a desaceleração na geração de empregos, que no mês passado teve o pior resultado para outubro desde 2008.

Diante de números desanimadores, a expectativa é de que a autoridade continue o movimento de corte nos juros, alinhada com o governo – que também já anunciou que implantará medidas de estímulo à economia. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, o Planalto irá retirar algumas restrições de crédito que haviam sido implementadas como parte das medidas macroprudenciais anunciadas pelo governo para conter a inflação e o superaquecimento da economia. O anúncio deverá ser feito, de acordo com Pimentel, até a próxima semana.

IPCA vai para o fim da fila – Contudo, neste xadrez, há peças fora do lugar. A política monetária adotada no início do ano com o objetivo de restringir o consumo e ajudar a inflação a voltar para o centro da meta não surtiu o efeito esperado. O IPCA-15 de novembro, dado mais recente do indicador que mede o aumento de preços, apresentou alta acumulada em 12 meses de 6,69%, ainda acima do teto da meta, que é de 6,5%.

Se, mesmo com o aperto monetário, a meta de inflação não foi alcançada, a redução dos juros poderá distanciar ainda mais o indicador da meta. “A função do BC é, ou deveria ser, controlar a inflação. E continua não havendo indicação de que inflação estará controlada no ano que vem, mesmo com a revisão dos pesos do IBGE, que irá retirar alguns pontos do IPCA”, afirma Alexandre Schwartzman, ex-diretor do BC e doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. O economista prevê o IPCA ainda acima de 6% em 2012.

Ao perseguir a redução da Selic em vez do controle inflacionário, o BC demonstra que seu papel principal, nos dias de hoje, é estimular o crescimento econômico em uma ação conjunta com o governo. “Ninguém está acreditando que inflação irá convergir para o centro da meta no ano que vem, que é o cenário defendido pelo BC, apesar dos juros em queda”, afirma o economista Armando Castelar, da FGV.

No que se refere à dicotomia entre inflação e crescimento econômico, o ano de 2011 ensina duas lições: a Selic não foi um instrumento suficiente para controlar o aumento de preços; e sua redução poderá, inclusive, estimular o avanço da inflação, comprometendo a renda das famílias e freando ainda mais o aumento do PIB. Se a última previsão se concretizar, todos os alvos perseguidos pela equipe econômica do governo e pela autoridade monetária em 2011 terão sido errados.

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