Copom inicia reunião com expectativa de novo corte da Selic
Desaceleração da inflação reforça aposta em redução de 0,25 ponto percentual; mercado acompanha sinais do Banco Central sobre o ritmo dos próximos cortes
Começa nesta terça-feira, 4, a quinta reunião de 2026 do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A expectativa do mercado financeiro é por mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 14,25% ao ano. Caso o corte se confirme, a taxa ficará em 14% ao ano. A decisão deve ser anunciada na quarta-feira, 5, após o fechamento do mercado.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os integrantes do comitê analisam os cenários e definem o nível da Selic.
Desde a última reunião, em junho, a inflação mostrou novos sinais de desaceleração. O IPCA passou de 0,58% em maio para 0,16% em junho. O IPCA-15, que mede a prévia da inflação, também segue trajetória de desaceleração, ao registrar 0,06% na medição de julho, ante 0,41% no período imediatamente anterior. A queda nos preços dos alimentos e dos combustíveis tem puxado os indicadores para baixo.
Com isso, as projeções de inflação também recuam. De acordo com o Boletim Focus desta semana, o IPCA deve encerrar o ano em 5,03%, abaixo da projeção de 5,12% da semana passada — a quinta revisão consecutiva para baixo. O mercado também reduziu a estimativa para a Selic e agora aposta em uma taxa de 13,75% ao fim deste ano. É a primeira vez desde março que os investidores revisam a projeção para baixo.
Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a combinação das projeções do Focus reforça a percepção de que o processo de desinflação continua em andamento e abre espaço para uma política monetária menos restritiva. “O dado mais relevante não é apenas a queda do IPCA. É a confirmação de que o mercado começa a enxergar um ambiente em que a inflação desacelera sem exigir juros elevados por tanto tempo. Quando a expectativa de inflação cai e a expectativa de juros acompanha esse movimento, o custo do dinheiro começa a mudar antes mesmo da decisão do Banco Central”, afirmou.
Além da queda das projeções de inflação, economistas apontam os núcleos de inflação comportados e a moderação da atividade econômica e do mercado de trabalho como fatores favoráveis à redução dos juros. Permanece, no entanto, a incerteza em relação ao cenário externo, diante do conflito no Oriente Médio e do quadro fiscal doméstico. Com isso, o mercado aguarda com atenção o comunicado do Copom para entender os próximos passos da autoridade monetária.
Para Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, o Banco Central deve cortar a taxa nesta reunião e manter um discurso deliberadamente aberto, sem se comprometer com as próximas decisões. “O corte adicional dependerá da confirmação dos dados: inflação corrente comportada, expectativas em convergência e ausência de novo choque externo. Mesmo após a redução, os juros seguem em território fortemente restritivo. O que está em curso é um ajuste fino da dose de aperto, não o início de um afrouxamento”, diz.
Taxa Selic
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. Juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, reduzindo as pressões sobre os preços.
Por outro lado, taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia. Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro ao definir os juros cobrados dos consumidores.
Quando a Selic é reduzida, a tendência é de crédito mais barato, favorecendo o consumo e os investimentos e estimulando a atividade econômica.
(Com Agência Brasil)







