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Contra crise da dívida, UE tenta garantir sua sobrevivência

Líderes alertam: essa é pior crise já enfrentada pela zona do euro em anos. Em jogo está não apenas evitar uma quebra da Grécia, mas a manutenção do bloco

Por Da Redação - 14 set 2011, 08h30

Assombrados pela possibilidade cada vez mais latente de um calote da dívida grega, os líderes europeus trabalham para evitar as consequências dramáticas que a quebra da Grécia traria para o bloco. Em discurso ao Parlamento Europeu nesta quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, afirmou que o bloco hoje luta por sua sobrevivência: “Estamos enfrentando a maior crise de nossa geração. É uma luta pelo futuro da Europa, a integração da União Europeia”, alertou.

Já Jacek Rostowski, ministro da Fazenda da Polônia, afirmou: “Se a zona do euro rachar, a UE não será capaz de sobreviver, com todas as consequências que nós podemos imaginar”. A Polônia detém hoje a presidência semestral da União Europeia.

O ministro polonês advertiu ainda para o impacto da crise sobre as economias do continente. “A atual crise, se continuar de maneira tão imprevisível, terá consequências enormes. Se prosseguir durante um ano, ou dois, teremos que enfrentar uma taxa de desemprego que dobrará em alguns países, incluindo os mais ricos”, afirmou Rostowski.

Barroso estimulou os países da Eurozona a executar o mais rápido possível as medidas aprovadas em 21 de julho para repassar uma ajuda a Grécia de 160 bilhões de euros, que permitiria a Atenas cumprir os compromissos com seus principais credores. Ele criticou, ainda, França e Alemanha pelo desejo de solucionar os problemas da Europa em uma ação bilateral, sem consultar ou debater as questões com os demais parceiros da UE ou com as instituições que governam o bloco, como a Comissão e o Parlamento europeu.

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O presidente da Comissão Europeia afirmou que o órgão apresentará em breve opções para a zona do euro emitir títulos em conjunto. Mas alertou: não há solução simples para a atual crise. Barroso afirmou que vai propor formalmente que os 17 países-membros da União Europeia garantam coletivamente suas dívidas – ideia rigorosamente rechaçada pela Alemanha.

Bancos – Também nesta quarta, os efeitos da crise da dívida da União Europeia se abateram sobre os bancos franceses. A agência de classificação de riscos Moody’s anunciou o rebaixamento da nota dos bancos Crédit Agricole e Société Générale, o primeiro por sua exposição à dívida grega e o segundo pelo dispositivo de ajuda pública ao sistema financeiro.

Por outro lado, a Moody’s não alterou a nota do BNP Paribas, outro grande banco francês para o qual também se temia uma degradação devido aos riscos de uma reestruturação da dívida grega, embora a agência tenha precisado que seguirá mantendo-o sob controle para um eventual rebaixamento.

Reunião – O primeiro-ministro grego, George Papandreou, manterá nesta quarta um contato telefônico conjunto com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para tentar evitar a quebra do país. Segundo um comunicado do escritório de Papandreou, a teleconferência acontecerá às 19 horas locais (13 horas de Brasília).

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A atenção dos mercados está centrada em uma possível solução para que a Grécia possa cumprir suas obrigações de pagamento e não arrastar os outros integrantes da zona do euro, acrescenta a nota oficial.

Antes do contato telefônico, o chefe do governo grego se reunirá com seus ministros para revisar o programa de cortes de despesas, privatizações e reformas estruturais com o qual espera arrecadar 78 bilhões de euros até 2015. A Grécia depende do cumprimento desse programa para que os parceiros da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) liberem 8 bilhões de euros nas próximas semanas, como parte do resgate de 110 bilhões que lhe concederam em maio de 2010.

(com agências EFE e France-Presse)

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