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Consumo diário tem o poder de definir os rumos do planeta

Líderes globais, pesquisadores e economistas tentam conciliar a expansão da classe média à necessidade de estabelecer padrões de consumo menos agressivos ao meio ambiente

De alimentos a computadores, de maquiagem a automóveis, os produtos que a humanidade consome vêm moldando o planeta. A economia que move o mundo também pode destruí-lo. Para ambientalistas, economistas, cientistas e líderes globais, essa é uma equação complexa sobre a mesa, agravada pela expansão das novas classes médias: como convencer um imenso contingente de novos compradores a abrir mão do conforto, ou pensar antes de consumir, em um cenário de renda reforçada e acesso mais fácil ao crédito?

A forma como o mundo consome e vai consumir nos próximos anos é um dos embates às vésperas da Rio+20. No momento, duas correntes se opõem. Brasil e países emergentes defendem a busca por soluções que não reduzam a inclusão social, que não privem a classe ascendente de bens de que, até o momento, as nações desenvolvidas puderam desfrutar. Na União Europeia, domina a corrente que recomenda duramente a restrição ao uso de recursos naturais, de forma a reduzir o consumo.

Independentemente do grau de envolvimento com a discussão, cada indivíduo economicamente ativo pode interferir decisivamente nos rumos do planeta através de sua forma de decidir. As opções vão desde a escolha de aparelhos que gastam menos energia – nesse caso, também uma opção econômica – à preferência por itens de marcas que respeitem o meio ambiente. O conceito é fácil de entender. O difícil é levar o consumidor a decidir não apenas em função do preço. Descubra, com o teste produzido pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, que tipo de consumidor é você:

O relatório O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a RSE (responsabilidade social empresarial), feito desde 2000, acompanha a evolução do padrão de consumo brasileiro. A última edição, de 2010, traz a seguinte conclusão: “Nesse contexto de festa do consumo, em especial incorporando segmentos historicamente excluídos ou com limitado acesso ao mercado, é difícil imaginar que os novos consumidores assumam comportamentos conscientes, assim como que maiores parcelas dos antigos consumidores o façam”.

O próximo relatório será lançado este ano, mas ainda está em fase de planejamento. A equipe do Akatu tem pressa para checar a evolução dos consumidores nos últimos dois anos. “Os cientistas seguem demonstrando que, ao fim das contas, o planeta poderá seguir sua existência tornando-se mais quente, recoberto por geleiras ou com elevado nível de seus mares. Mas o mesmo não se pode dizer com relação à espécie humana. Já pagamos uma conta alta pela lentidão em assumir que temos um problema real a enfrentar. E vamos pagar mais. É hora de correr contra o prejuízo”, alerta a Diretora-executiva do Akatu, Ana Maria Wilhelm.

A série de relatórios incorporou desde 2003 uma análise sobre o avanço do comportamento dos brasileiros para o consumo consciente. Foram criadas quatro categorias de comportamento, em ordem crescente de preocupação com os efeitos de suas compras sobre o meio ambiente: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes.

O comportamento dos consumidores na hora das compras oscilou criticamente na fase de ascensão econômica da classe C. Na comparação com os resultados de 2006 percebeu-se um aumento de 12 pontos percentuais no total de consumidores classificados como “indiferentes”, passando de 25% em 2006 para 37% em 2010. “O resultado teve relação com o aumento de renda da população e a democratização do acesso ao crédito”, observa a diretora do Akatu.

Nos outros dois grupos seguintes, “iniciantes” e “engajados”, verificou-se uma queda, respectivamente de 7 e 5 pontos percentuais, correspondendo assim aos mesmos 12 pontos percentuais de crescimentos dos “indiferentes”. O relatório destaca que seis dos 13 comportamentos utilizados na segmentação dos consumidores estão diretamente relacionados à redução e ao planejamento de gastos, sendo a adesão a eles mais sensível ao contexto econômico, à confiança do consumidor e à sua disposição de maior ou menor contenção de despesas.

Durante parte do período das pesquisas (2003 a 2008), a renda dos 10% mais pobres cresceu 8% ao ano, enquanto o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 1,5% ao ano. “Esse ritmo deve ser mantido até 2012. Em 2009, mais de um milhão de brasileiros saíram da linha de pobreza”, indica o relatório.

“Um ponto positivo é que esse consumidor que ascendeu da classe C traz o hábito de planejar antes de gastar, pelos anos vividos sob recessão econômica. E é esse hábito de planejar gastos e contas que temos que estimular, não podemos deixar que essa parcela da população recaia nos erros cometidos pelos outros perfis de consumidores”, observa Ana Maria.

O consumidor consciente é o chamado “cidadão do futuro”. Pode ter começado o exercício de um novo estilo de vida como os eco-chatos de sempre, mas hoje amplia sua visão para pensar na coletividade e manifestar interesse pelo planeta. “Entre a criação de protocolos internacionais e a regulação por parte dos governos gasta-se muito tempo. O desafio está em nossas mãos, nas escolhas que fazemos todos os dias”, defende Ana Maria. O Akatu indica alguns dos comportamentos típicos do que é considerado o consumidor exemplar:

Adota a bicicleta como meio de transporte

Além de uma opção pessoal saudável, indica a prática de alguma forma de ativismo em busca de mais respeito no trânsito, como o Grupo de Ciclistas de São Paulo.

Pratica coleta seletiva do lixo

A separação caseira é um bom começo. Destacam-se nesse grupo os consuidores que se deslocam até pontos estabelecidos por cadeias de supermercado para depositar o lixo, estimulando a legislação para coleta de resíduos sólidos.

Lê todas as embalagens de produtos

Informação é a chave do consumo consciente. O consumidor que tenta entender se o produto tem caráter de sustentabilidade a partir da composição química está ajudando a pressionar a indústria por mais qualidade e responsabilidade.

Desistiu de andar de carro sozinho

Considerando as implicações do transporte individual, o motorista que entende o peso de desclocar-se sozinho no automóvel tem um papel importante nos dias de hoje. O desejável, nesse quesito, é o comportamento que inclui, se necessário, a mudança de rotina, com disposição para trechos a pé, trasnporte público ou carona.

Planeja o orçamento antes de gastar

Quem evita o endividamento fácil está fazendo bem para o seu orçamento e para o mercado. Contribui também para evitar o consumo por impulso.

Compra alimentos da estação

Adotar produtos orgânicos é algo altamente saudável, mas ainda há diferenças significativas de preço. A opção por vegetais da estação é uma prática, por exemplo, dos Eco-chefs no Rio de Janeiro.

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