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Consequências para a França da perda de seu triplo A

Por Philippe Huguen 13 jan 2012, 17h08

A perda do triplo A da França poderia ter consequências em cadeia, mas tudo dependerá da reação dos mercados de obrigações nos próximos dias.

ESTADO

As condições de financiamento do Estado francês correm o risco de endurecer, quer dizer, as taxas dos empréstimos para financiar sua dívida, atualmente de 3,2% para as obrigações a 10 anos, devem aumentar. Cada alta de um ponto percentual destas taxas equivale a cerca de 3 bilhões de euros de custo adicional (cerca de 3,9 bilhões de dólares).

Uma situação complicada para Paris, que prevê solicitar dos mercados em 2012 cerca de 179 bilhões de euros.

ADMINISTRAÇÕES LOCAIS

Nenhuma administração local poderá conservar seu triplo A depois da perda dessa nota a nível nacional, visto que boa parte de seu orçamento procede do Estado. Portanto, estas administrações devem ter mais dificuldades em encontrar financiamento para custear a construção de uma estrada ou de um museu, por exemplo.

EMPRESAS

As empresas sofrerão, em primeiro lugar, pelo rebaixamento generalizado do contexto econômico, o que pesará nas cifras do faturamento. Isso as levará a adiar investimentos e contratações.

Suas atividades também serão freadas por um abrupto estancamento do crédito, sobretudo para as pequenas e médias empresas, que terão muitas dificuldades de financiamento para continuar suas atividades. Os grandes grupos franceses, que obtêm a maior parte de seus benefícios fora da França, podem encontrar outras fontes de financiamento no exterior.

As grandes empresas públicas, como a EDF (eletricidade) ou a Aeroports de Paris (serviços e gestão aeroportuária), verão suas notas serem rebaixadas, visto que o Estado é acionista, com um consequente enfraquecimento financeiro. Sofrerão, além disso, a redução de pedidos públicos.

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BANCOS E SEGUROS

Com o rebaixamento da nota da França, a dos bancos também cairá, aumentando o custo de seu refinanciamento. Isso equivalerá a menos crédito a particulares e empresas e crédito mais caro, especialmente os empréstimos imobiliários.

Para as seguradoras, o efeito da alta das taxas das obrigações soberanas francesas deve ser nulo, exceto se estas companhias detectarem uma forte queda das contribuições sobre os seguros de vida. Nesse caso, necessitarão de liquidez e se verão obrigadas a vender suas obrigações com prejuízo.

Já se a arrecadação for satisfatória, as empresas poderão melhorar a remuneração dos contratos de seguros de vida em euros.

O rebaixamento das notas de vários países europeus pode, contudo, desestabilizar o setor de seguros.

PARTICULARES

Se as taxas aumentarem com força, o sobrecusto para o Estado e as administrações locais deverá ser financiado, daí o risco de um significativo aumento dos impostos ou de novas medidas de austeridade orçamentária.

A deterioração das condições de financiamento e do entorno econômico para as empresas pode ter impacto em seus investimentos e, portanto, nos empregos.

Os bancos ficarão mais cautelosos, o que pode levar a uma diminuição do crédito, especialmente o imobiliário.

A perda do triplo A também pode ter consequências mais indiretas. Por exemplo, os passageiros poderiam pagar mais caro por seus bilhetes de trem se a companhia ferroviária for afetada pela decisão das agências de avaliação, já que deve pagar mais por se financiar nos mercados.

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