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Companhias aéreas lucram antes da decolagem

Seguros, produtos licenciados e até serviços financeiros são opções de receitas para as empresas lucrarem apesar do alto preço dos combustíveis

Por Christine Negroni, The New York Times
18 mar 2012, 18h27

Sabe as tarifas por mala despachada e refeição nos voos? Elas são apenas o começo. Agora que as companhias aéreas perceberam quanto dinheiro a mais podem lucrar vendendo mais do que um lugar no avião, elas estão tendo todo tipo de ideia para produzir receita. Vender seguros contra interrupção do voo e mercadorias com seus logotipos são apenas alguns exemplos dessa iniciativa.

A receita gerada por itens não necessariamente ligados às passagens se tornou fundamental para a saúde financeira das crises aéreas, mantendo-as longe do vermelho mesmo quando os preços dos combustíveis sobem. Ano passado, essa receita gerou cerca de 32,5 bilhões de dólares em âmbito mundial, um crescimento de 43,8% sobre os 22,6 bilhões de dólares registrados do ano retrasado, segundo o estudo Estimativa Mundial da Receita Auxiliar da consultoria Amadeus.

Loja da Lufthansa no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, em fevereiro de 2012. A receita obtida com outros produtos, que não passagens, se tornou relevante para as companhias aéreas, protegendo-as do aumento de combustível
Loja da Lufthansa no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, em fevereiro de 2012. A receita obtida com outros produtos, que não passagens, se tornou relevante para as companhias aéreas, protegendo-as do aumento de combustível (VEJA)

“As companhias aéreas precisam aprender com a Amazon e gerarem empreendimentos de comércio eletrônico”, diz Raphael Bejar, especialista em receita da Airsavings, empresa de Boulogne, na França, que ajuda as empresas aéreas a cortar custos e encontrar novas formas de aumentar a receita. “Enquanto a companhia aérea pensar do jeito antigo, ela vai morrer. Aquelas que estiverem se mexendo e se transformando terão sucesso.”

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Segundo especialistas em receita de empresas aéreas, a Air New Zealand é a primeira entre todas a investir no setor bancário. Ela transformou os membros do clube de viajantes frequentes em clientes de serviços financeiros, dando-lhes um cartão de débito que armazena dinheiro, milhas aéreas e moeda estrangeira.

“Ele nos dá a oportunidade de criar um canal de renda mais amplo, a capacidade de ganhar dinheiro com a conversão de receita do exterior”, disse Simon Pomeroy, diretor de fidelidade da Air New Zealand. A empresa também cobra uma pequena porcentagem quando o cartão é usado e um valor mensal, caso esteja ativo, mas não seja utilizado.

“Ganhamos dinheiro com o uso individual e coletivo do cartão todo dia”, declarou Pomeroy, assinalando que o cartão dá à Air New Zealand uma fonte de receita não afetada pela tirania dos preços dos combustíveis. “Se o combustível subir, continuaremos ganhando dinheiro.”

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No mês seguinte ao lançamento do cartão, em dezembro, 100.000 pessoas decidiram ativá-lo, um começo promissor, avaliou Ben Woolsey, diretor de marketing e pesquisa de consumo da Creditcards.com. “Posso ver quando isso vai decolar. É positivo para o viajante frequente poder acessar as milhas em vez de entrar na internet e transferi-las. É uma grande inovação.”

A Continental Airlines, que se fundiu à United Airlines ano passado, também está pescando ideias do mundo financeiro. Um ano atrás, ela começou a vender opções nos preços das passagens. O programa, FareLock, permite ao futuro viajante congelar o preço de um bilhete por até sete dias, mediante uma tarifa pequena que a empresa retém independentemente se a compra ser efetuada ou não.

“Programas do gênero têm o potencial de virar bons geradores de receita”, disse Jay Sorensen, que elaborou o relatório da Amadeus. Contudo, ele alertou sobre o impedimento gerado por uma nova regra do Departamento de Transportes dos Estados Unidos, que estabelece o prazo máximo de 24 horas para manter a mesma cotação no caso de voos marcados com pelo menos uma semana de antecedência. Isso pode cortar o número de passageiros que comprem essa opção.

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