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Como Elon Musk perdeu metade da fortuna em apenas sete semanas

Após o maior IPO da história, a SpaceX frustra as expectativas do mercado, Musk "empobrece" 758 bilhões de dólares e perde o status de trilionário

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2026, 15h22 | Atualizado em 31 jul 2026, 15h48
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Julho termina melancolicamente para Elon Musk. Conhecido por seu temperamento irascível e nem um pouco humilde, o empresário reconheceu publicamente há alguns dias, por meio de seu perfil oficial na rede social X (ex-Twitter), que deixou de ser o primeiro trilionário da história. Mais impressionante do que a admissão em si – afinal, todos já sabiam -, é a velocidade e a magnitude com que isso ocorreu. Em apenas sete semanas, sua fortuna despencou de espantosos 1,45 trilhão de dólares para “apenas” 692 bilhões, de acordo com a revista americana Forbes – um tombo de 52%.

Embora ainda seja o homem mais rico do mundo, bem à frente do segundo colocado – Larry Page, um dos fundadores do Google, cujo patrimônio soma 282 bilhões de dólares -, a implosão demonstra que até o mais visionário dos empreendedores de nosso tempo está sujeito a erros e percalços. O motivo é que a ascensão de Musk ao inédito status de trilionário e seu retorno ao mundo dos bilionários estão diretamente relacionados ao desempenho da SpaceX, a sua empresa de exploração espacial.

Na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em 11 de junho, as ações da companhia foram vendidas por 135 dólares cada. A operação levantou 75 bilhões de dólares e entrou para a história como o maior IPO já realizado. Além disso, seu valor de mercado foi estabelecido em 1,77 trilhão de dólares. Como Musk possui uma fatia relevante da SpaceX, tal avaliação catapultou automaticamente seu patrimônio pessoal.

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Com o início da negociação na bolsa americana Nasdaq em 12 de junho, as ações seguiram em forte alta nos dias seguintes até atingirem o pico de 201,8 dólares em 16 de junho. Parecia, enfim, que a posição de Musk como trilionário estava consolidada. A partir desse ponto, contudo, a SpaceX saiu de órbita e, com ela, a fortuna do seu fundador.

Menos de uma semana após o IPO, o mercado foi pego de surpresa com a notícia de que a empresa estava preparando a emissão de títulos de dívida para captar mais 25 bilhões de dólares. Era natural que os investidores e os analistas questionassem a necessidade de tal medida, já que, em tese, seu caixa acabara de ser abastecido pela venda de ações. A avaliação de que isso poderia significar que a SpaceX consome mais recursos do que se supunha derrubou a cotação do papéis para 154,60 dólares em 22 de junho.

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A dor de cabeça seguinte envolveu o Starship 9, maior foguete já construído e principal aposta da companhia para baratear os voos espaciais. A espaçonave realizaria seu décimo terceiro voo de testes em 16 de julho, mas a falha em alguns motores adiaram o lançamento para o dia 23. Após novo cancelamento, a nave decolou em 24 de julho. Embora a empresa afirme que o voo foi bem-sucedido, o fato de não fornecer detalhes do teste deixou os investidores desconfiados de que a empresa esteja escondendo algo.

Desde então, os papéis seguem alternando raros dias de alta com sequências de pregões em queda. O resultado é que, nesta sexta-feira 31, a SpaceX caminha para fechar ao redor de 109 dólares – a menor cotação desde o IPO, 19% abaixo do preço de venda na oferta inicial e 46% abaixo do pico registrado em 16 de junho. Após a fortuna de Musk alcançar altitudes nunca antes imaginadas, a gravidade da situação a puxou de volta – e a reentrada na atmosfera foi brutal.

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