Como as famílias milionárias usam a inteligência artificial nos seus investimentos
Apenas 13% dos family offices confiam nas ferramentas de IA para selecionar ativos ou otimizar sua carteira de investimentos
As famílias mais abonadas do mundo já começam a incorporar ferramentas de inteligência artificial (IA) na gestão de seu patrimônio, mas com algumas ressalvas importantes. A conclusão é de um levantamento recente da área de wealth management do Citi, um dos maiores bancos do mundo. Os family offices, estrutura bastante utilizada por milionários e bilionários para administrar seus investimentos, têm utilizado a IA em atividades operacionais e ainda evitam aplicá-la na seleção de ativos para suas carteiras.
Segundo o Global Family Office Report divulgado pelo banco há algumas semanas, 22% dos family offices já aplicam a IA na automação de algumas tarefas operacionais. Outros 23% estão desenvolvendo soluções nesse sentido, mas a grande maioria – 55% – ainda não moveu uma palha.
Aplicações na análise de investimentos e projeções são utilizadas também por 22% das famílias entrevistadas. A julgar pelos outros números desse tópico, este ainda é um tema que inspira cautela. Apenas 20% das consultadas estudam usar a IA em análises, e outros 58% não possuem projetos nem planos neste sentido.
O conservadorismo é ainda maior, quando se trata de montar ou otimizar de fato o portfólio de investimentos. De acordo com o Citi, somente 13% dos entrevistados aplicam a IA nessas tarefas, e outros 17% pretendem adotar algo nessa linha. Com isso, 70% dos family offices ouvidos pela instituição não desejam que a IA palpite sobre onde devem alocar seus recursos – pelo menos, por ora.
Apesar do baixo percentual de endinheirados que já possuem uma IA para assessorá-los nos investimentos, o Citi nota que a adoção acelerou em relação a 2024, quando apenas 13% da amostra contavam com ferramentas para tarefas operacionais ou análises de investimentos. A instituição também destaca uma diferença crucial em relação aos investidores institucionais. Enquanto os family offices recorrem à IA para ganhar eficiência operacional em tarefas secundárias, os investidores institucionais, como gestores, seguradoras e fundos de investimento, utilizam a inteligência artificial na busca de ativos que gerem retornos acima de seus benchmarks – o chamado coeficiente alfa.







