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Como a soja pesou no resultado do PIB do terceiro trimestre

Compra massiva da China no 1º semestre esgotou o produto e afetou no resultado; Agro caiu 0,5% em relação ao tri anterior, mas no ano o saldo é positivo

Por Luisa Purchio Atualizado em 3 mar 2021, 15h22 - Publicado em 3 dez 2020, 10h16

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta quinta-feira, 3, sobre o PIB do Brasil no terceiro trimestre refletem o peso da soja na economia do país. No período, o PIB cresceu 7,7% em relação ao período imediatamente anterior, mas a agricultura, que vinha sustentando o desempenho nos últimos trimestres, recuou. Se não fosse pela concentração da exportação da soja para a China no primeiro semestre do ano, o resultado do PIB do 3º tri seria superior. No período, houve crescimento de 14,8% na indústria e de 6,3% em serviços, mas o setor agro caiu 0,5%.

“Este ano a China comprou de forma muito agressiva. O embarque total de soja em novembro foi de 1,468 milhão de toneladas, quase 10 vezes menos que o último mês do segundo trimestre. Em junho, o embarque foi de 13,750 milhões de tonelada”, diz Vlamir Brandalizze, consultor em agronegócio.

  • Essa queda brusca foi compensada pela valorização da soja no mercado internacional e pelo câmbio, permitindo que no período o setor agro caísse apenas 0,5%. Se no último dia do segundo trimestre, o dólar comercial estava a 5,4360 reais, no último dia do terceiro trimestre, ele atingia 5,6410 reais. “Se não tivesse apoio do câmbio e da valorização da soja em dólar, a queda teria sido maior. A China comprou mais que o esperado e teve quebra da safra americana. O mercado da soja cresceu mais de 10% em dólar no terceiro trimestre. Ela cresceu em dólar, mas exportamos menos em volume”, diz Brandalizze.

    O peso da soja no faturamento da exportação é 40%. O total de soja exportada no segundo trimestre foi de 45,5 milhões de toneladas, e no terceiro ficou em 21,1 milhões. Só nessa situação, houve queda de 5,5 bilhões de dólares no período. Apesar de impactar no PIB trimestral, o setor fechará com um crescimento importante no ano. Em relação a exportação de carne, o volume ficou praticamente estável. O frango, principal proteína exportada pelo país, foi exportada 340 mil toneladas mensais em média até junho. A carne suína teve uma leve queda: em junho e julho chegou a 90 mil toneladas exportadas, e nos meses seguintes caiu de 75 a 80 mil toneladas ao mês.

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