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Como a disparada da inflação beneficia Bolsonaro nas eleições de 2022

O governo prevê folga de R$ 106 bilhões no teto de gastos de 2022, irrigando projetos de obras, graças a repique inflacionário estimado em 7,14% até junho

Por Victor Irajá 19 abr 2021, 18h05 | Atualizado em 5 jun 2026, 17h40
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Um montante de 106 bilhões de reais para esbanjar em ano eleitoral. Esse é o volume de recursos “extras” expressos no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, o PLDO, apresentado pelo Ministério da Economia na semana passada, que serve como base para a consolidação do Orçamento de 2022. A liberação desses recursos pode ser explicada pelo conteúdo da lei do teto de gastos. Como o teto e os limites de dispêndios do governo federal têm de ser sempre reajustados para o ano seguinte, ficou definido que a conta é feita tomando como referência a inflação do meio do ano anterior. E aí, existe um trunfo para 2022.  A inflação de doze meses em junho de 2021 deve ficar bem acima da contabilizada ao fim de dezembro do mesmo ano, que é utilizada para definir o salário mínimo, que é a referência para os aumentos de salários de diversos cargos públicos. Assim, o teto vai subir mais para 2022 do que os encargos com pessoal do governo.

De acordo com o documento, a gestão de Jair Bolsonaro acredita que o repique inflacionário atinja seu ápice em junho deste ano, e o IPCA crave então 7,14% no acumulado de um ano. Com isso, sobra espaço para o remanejamento de recursos, que podem servir para prodigalizar em obras em estados vitais para a campanha eleitoral e para a anabolizar programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.

O texto apresentado pelo governo abre a possibilidade para que Bolsonaro despeje dinheiro na infraestrutura. De acordo com o projeto, foram incluídas autorizações para a “conservação e recuperação de rodovias” e orçamento para investimento público. Os gastos do governo terão limite de 1,5 trilhão de reais no ano que vem. Segundo as contas da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, o repique inflacionário começa a perder força no segundo semestre. Guedes confia na atuação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por ele, para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, encerre o ano dentro do teto da meta inflacionária, que vai até 5,25%, sendo o centro de 3,75%.

 

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Para se ter ideia, começou-se a discutir os gastos de 2022 enquanto o Orçamento para 2021 continua travado na gaveta de Jair Bolsonaro. Como mostra VEJA na edição desta semana, o texto aprovado pelo Congresso Nacional abre brecha para a interpretação de que o texto deixa tanto Bolsonaro quanto técnicos da Economia expostos à possibilidade de crime de responsabilidade. Enquanto o Orçamento não entra em vigor, o governo não tem como implementar planos de estímulos para as empresas, como os adotados no ano passado — incluindo o programa de garantia de empregos (BEm) e financiamentos a negócios em dificuldades, caso do Pronampe. Além disso, a demora obstrui completamente a agenda de reformas que prometem destravar o potencial de investimentos privados no Brasil. 

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Nesta segunda-feira, 19, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), às turras com Guedes, tuitou: “O orçamento desse ano só foi aprovado depois da eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, justamente pelas dificuldades criadas pela gestão do meu antecessor e os seus compromissos políticos”. A alfinetada no antecessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), seguiu-se com crítica ao governo. “Agora depois de aprovado com amplo acordo que incluiu o governo, as críticas são injustas e oportunistas, cabendo ao governo propor soluções que atendam às demandas acordadas durante a votação, respeitando todos os limites legais e o teto de gastos”, escreveu. Maia rebateu: “O presidente da Casa virou humorista. Aliás, defender a sanção do orçamento de 2021 só pode ser uma piada.” Um teto mais alto em 2022 pode evitar novos embates como esse.

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