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Comitê sob Ricardo Ferraço deu incentivo fiscal a projeto ligado à Apex

Benefício foi aprovado quando filho do então vice-governador já integrava a companhia; assessoria diz que política era setorial e nega direcionamento

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 ago 2026, 14h00
Comitê sob Ricardo Ferraço deu incentivo fiscal a projeto ligado à Apex Priorizar nos meus resultados Google

A relação entre o governo do Espírito Santo e a Apex Partners ganhou um novo capítulo em meio à crise da gestora. Em julho de 2023, o Comitê de Avaliação do Invest-ES aprovou benefício fiscal para a Apex Log Pitanga Empreendimento Imobiliário, projeto ligado à Apex. Naquele momento, Ricardo Ferraço era vice-governador, secretário de Desenvolvimento e figurava como coordenador do colegiado responsável por avaliar os pedidos.

A situação chama atenção porque Pedro Ferraço, filho de Ricardo, já integrava a Apex e era apresentado como vice-presidente da companhia. A portaria que disciplinava o próprio comitê previa impedimento de seus integrantes em situações envolvendo interesse direto ou indireto e estabelecia a necessidade de comunicação e abstenção diante de potenciais conflitos.

Os documentos encontrados pelo Radar Econômico não permitem afirmar que Ricardo Ferraço tenha participado da reunião que aprovou especificamente o benefício à Apex Log Pitanga, nem que tenha votado ou atuado na tramitação do pedido. Uma resolução aprovada na mesma reunião foi assinada pela coordenadora suplente do colegiado. A assessoria de Ferraço não respondeu se ele estava presente, se declarou impedimento ou se teve qualquer participação na análise do processo.

Em posicionamento, Ferraço afirmou que os incentivos ao setor atacadista e logístico fazem parte de uma política pública ampla, iniciada ainda no governo Paulo Hartung e mantida por diferentes administrações. Segundo ele, a cadeia reúne cerca de 2,6 mil empresas e 100 mil empregos, ocupa aproximadamente 4 milhões de metros quadrados em centros logísticos e respondeu por 29,1% da arrecadação de ICMS do Espírito Santo em 2025.

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“A política de incentivos ao setor atacadista e logístico do Espírito Santo não foi criada para beneficiar uma empresa ou um empreendimento específico”, afirmou. Segundo o posicionamento, os benefícios seguem critérios aplicáveis a todas as empresas que atendam às condições previstas, “sem qualquer direcionamento individual”.

O caso ganha relevância porque não é o primeiro elo revelado entre a família Ferraço e empresas que aparecem no centro da crise da Apex. Documentos obtidos anteriormente pelo Radar mostraram que Ricardo Ferraço foi diretor comercial da Rhino Securitizadora e que uma participação de 25% ligada a ele foi transferida em 2022 para uma empresa representada por Pedro. Anos depois, a Rhino se tornaria uma das principais estruturas usadas para financiar a Apex, enquanto Pedro mantinha posições tanto no grupo quanto na própria securitizadora.

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