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Efeito menor do distanciamento social faz comércio crescer 13,9% em maio

Retomada parcial das atividades, adaptação dos empresários ao novo cenário alavancaram resultado em relação a abril; na comparação anual, queda é de 7,2%

Por Larissa Quintino - Atualizado em 8 jul 2020, 10h10 - Publicado em 8 jul 2020, 09h42

Após registrar uma forte queda de 16,3% em abril, o maior em 20 anos, o comércio já apresenta reação e dá sinais de que o ponto mais agudo da crise provocada pelo novo coronavírus no setor, ficou para trás. Em maio, as vendas no varejo cresceram 13,9%, maior crescimento desde o início da série histórica, em janeiro de 2000. A alta significativa se deve a retomada, mesmo que parcial, da atividade econômica em partes do país. Apesar da alta, o resultado de maio não foi insuficiente para o setor recuperar as perdas de março e abril, que refletiram os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. No acumulado do ano, o varejo registrou queda de 3,9%. Já nos últimos 12 meses, o cenário é de estabilidade. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira, 8, pelo IBGE.

O gerente da PMC, Cristiano Santos, explica que os números positivos aparecem após o mês em que foi registrado o pior patamar de vendas da série histórica (-16,3%). “Foi um crescimento grande percentualmente, mas temos que ver que a base de comparação foi muito baixa. Se observamos apenas o indicador mensal, temos um cenário de crescimento, mas ao olhar para os outros indicadores, como a comparação com o mesmo mês do ano anterior, vemos que o cenário é de queda”, analisa. Na comparação entre maio deste ano e de 2019, a queda é de 7,2%, o que mostra o impacto da crise no setor.

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A pesquisa aponta uma perda de ritmo dos impactos do distanciamento social no comércio. De todas as empresas coletadas pela pesquisa, 18,1% relataram impacto do isolamento em suas receitas em maio. Em abril, esse número era 28,1%, o maior percentual desde o início da pandemia. Com isso, há a indicação de crescimento nas atividades dessas empresas.

Segundo o IBGE, medidas de transferência de renda e estímulo ao consumo engendradas pelo governo federal surtiu resultado nas vendas do setor, além da adaptação do lojista que, se não pode abrir a loja física, começou a operar em canais digitais, com entregas ou vendas por aplicativos de mensagem para retirada. “A massa salarial teve uma queda de 7,3 bilhões no último trimestre, como apontou a PNAD Contínua. Mas em maio também teve uma parcela do 13º salário dos aposentados e o auxílio emergencial, que já estava na sua segunda edição, benefícios que a massa de rendimento não engloba. Então muitos fatores colaboram para esse crescimento, como o próprio aumento das atividades. De alguma maneira, houve algum impacto na abertura dessas lojas físicas e também uma acomodação no modo diferente de trabalhar, como as entregas, por exemplo”, analisa Santos.

A melhora das vendas repercutiu em todas as oito atividades observadas no comércio varejista, que registraram variação positiva. Entre as que apresentaram maior crescimento percentual estão tecidos, vestuário e calçados (100,6%), a mais afetada em maio, e móveis e eletrodomésticos (47,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (45,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (18,5%). O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 7,1% em maio.

O comércio varejista ampliado, que inclui também as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material e construção, cresceu 19,6% em relação a abril, descontando parte da queda dos dois meses anteriores. A atividade veículos, motos, partes e peças cresceu 51,7%, enquanto material de construção registrou 22,2%.

O crescimento das vendas foi generalizado no país, registrando variação positiva nos 27 unidades federativas. Segundo o IBGE, os estados com maior aquecimento nas vendas foram Rondônia (36,8%), Paraná (20,0%) e Goiás (19,4%).

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