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Comércio exterior chinês tem contração em janeiro; forte queda de importações

A China anunciou nesta sexta-feira uma contração de seu comércio exterior em janeiro, devido às festividades de seu Ano Novo e também pela crise na Europa, que atinge as exportações, enquanto as importações enfrentam uma demanda interna fraca, segundo os analistas.

As importações da China representaram 122,6 bilhões de dólares, menos 15,3% interanual, e as exportações 149,9 bilhões (-0,5%), indicou a Administração Geral das Alfândegas.

O superávit comercial da China registrou um forte aumento em um mês, a 27,3 bilhões de dólares, contra 16,5 bilhões em dezembro.

A queda das exportações e importações em janeiro deveu-se em parte ao Ano Novo chinês, que deu lugar a uma semana de férias, e também foi fruto da crise da dívida na Europa, primeiro mercado para os exportadores chineses.

O ministro chinês de Comércio, Chen Deming, havia avisado na noite de quinta-feira que os números seriam ruins.

“A China registra seus piores resultados de comércio (exterior) desde o pior momento da crise financeira” de 2008-2009, comentou Alistair Thornton, economista da IHS Global Insight baseado em Pequim.

O comércio de China com a União Europeia se contraiu em 7,1% interanual. Os negócios com os Estados Unidos, por sua vez, recuaram 3,9% e com o Japão -18,4%.

Em contrapartida, o comércio da segunda economia mundial aumentou fortemente com algumas das potências emergentes.

As exportações chinesas ao Brasil aumentaram 13,7% interanual, alcançando 2,635 bilhões de dólares. As importações chinesas de produtos brasileiros, por sua vez, subiram 0,7%, para 3,703 bilhões de dólares. O comércio com o Brasil somou 6,339 bilhões, em alta de 5,7% com relação a janeiro de 2011.

O comércio chinês com a Rússia subiu 26,8%.

De acordo com Thornton, espera-se uma contração do comércio tenha uma menor duração do que quando houve a crise financeira. “A diminuição das importações reflete uma demanda interna extremamente débil”, disse.

O governo chinês tenta há anos, sem muito sucesso, reequilibrar uma economia excessivamente dependente das exportações e dos investimentos estrangeiros diretos por um modelo baseado no consumo interno.

No mês passado, a agência de planejamento chinesa, a Comissão para o Desenvolvimento e Reforma, previu um crescimento de 10% para o comércio exterior da China em 2012, contra os 22,5% de 2011.